Sábado, 4 de Julho de 2009

O CAIÇARA CONTA...PESCADOR EM APUROS

Entre todos os pescadores da Almada, Maneco é um dos que mais pratica pesca artesanal. Acompanhado de seu filho Douglas, saem quase todos os dias em busca de peixes na baia da Almada e Ubatumirim.
Quando não esta no mar, passa parte do dia cuidando e fazendo novas redes de pesca no seu rancho de frente para o mar. Por ali passam moradores que param para um bate papo despreocupado. Não preciso dizer que ele sabe de tudo que se passa na praia.
Foi numa conversa a beira mar que ele descobriu que uma menina do bairro vizinho vinha todas as noites namorar um rapaz da Almada, e comentou com os amigos que logo se encarregaram de espalhar pelo bairro.
A menina não gostou do que ouviu e veio na praia para uma conversa com o pescador. Maneco que nem de longe gosta de confusão, ficou assustado e com medo do resultado da conversa, mas nem por isso deixou de ir ao rancho fazer seu trabalho.
Foi na hora de ir embora que ele percebeu que a menina estava no seu aguardo, no bar perto de seu rancho.
Aproveitando um descuido da menina, Maneco levantou e foi embora a passos largos.
Sabe aquela sensação de estar sendo seguido? Foi isso que ele sentiu, mas não olhava para traz. E ouviu uma voz feminina gritando seu nome em alto e bom tom.
“- Maneco vem aqui que eu quero falar com você”!
Ele sem saber o que fazer e sem olhar para traz disse: “Eu não sei de nada, não! Eu não falei nada pra ninguém não”! E saiu em disparada em direção a sua casa.
Ala não conseguiu a esperada conversa, mas ficou satisfeita com o tamanho susto que deu no morador.


HISTORIA EXTRAIDA DO WWW.FERNANDODAALMADA.BLOGSPOT.COM

CUNHAMBEBE, GRANDE CHEFE TUPINAMBÁS

Grande Chefe Índio que organizou e Comandou a Confederação dos Tamoios até a sua Morte, Teve a ajuda dos Caciques Aimberê, Pidobuçú e Coaquira. Uma Revolta Gigantesca contra os Escravistas Portugueses.
Cunhambebe morreu contaminado de varíola, que os dominadores Escravistas usualmente deixavam roupas e agasalhos contaminados para adoecerem os Índios que não tinham anticorpos e fácil contraiam as doenças e morriam.
Cunhambebe era o Chefe Supremo da Nação Tupinambá . Esta Nação se localizava desde o Cabo de São Tomé, depois de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, pelo Vale do Paraíba até Rio Juqueriquerê em Caraguatatuba, no Estado de São Paulo,
Os Índios Tupinambás eram uma ameaça aos interesses de Exploração Colonial e tinham de ser dizimados.
Cunhambebe era muito forte, ia na frente e ajudava a conseguir a vitória nos combates, estavam vencendo e expulsando os escravistas portugueses até que chegou a missão de José de Anchieta de conseguir uma trégua interromper as lutas para impedirem a expulsão dos Portugueses Escravistas.
Para Conseguir a trégua Anchieta argumentou com os Índios que Deus não queria guerras e que todos sendo filhos de Deus eram irmãos, e que Deus vendo os índios querendo Guerra poderia lhes castigar. Foi celebrado o Tratado de Paz de Iperoig, em Ubatuba. SP.
Com a trégua ao portugueses tiveram tempo de receberem mais pessoas e armas e organizarem o revide. A trégua foi quebrada por qualquer coisa e os índios foram massacrados.
Vendo a situação perdida Aimberê, e os Caciques Tamoios liberam os franceses do compromisso, que então foram embora, ficando só voluntários, dentre eles Ernesto que se casara com a Índia Guaraciaba filha de Aimberê e todos lutaram até a morte.
Uma página triste da História junto com a lição de que não se deixaram escravizar.
Hoje em toda a Nação, com o povo que se miscigenou, há o espírito do amor sem fim pela liberdade.

Cunhambebe sempre será o "verdadeiro herói do Brasil".

Direitos Reconhecidos
F1 http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/a/aa/Cunhambebe.jpg
F2 http://www.litoralsulvirtual.com.br/Cunhambebe_Small.gif
F3 http://www.litoralvirtual.com.br/noticias/2005/09/aymbere.jpg
F4 http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/574938.jpg
F5 http://www.ubatubapraiagrande.com.br/images/hansstaden

CUNHAMBEBE / Lenda ? Maldição ? Verdade ?






Quem nunca pisou em Ubatuba ou esteve aqui por alguns dias e não ouviu mediante qualquer coisa errada na cidade ou acontecimento ruim alguém citar a seguinte frase :----- Ahhhh isso é a maldição de Cunhambebe !A falada maldição de Cunhambebe é fato conhecido por toda cidade.Mas, para entender e preciso conhecer a história ida nos ano de 1500 e nada melhor ler parte da narrativa de Renato Nunes um arquiteto e pesquisador da vida indígena em Ubatuba que em 21/11/2001 publicou a história resumida de fácil entendimento da maldição de Cunhambebe no jornal "O Guarujá."Ele conta..."Logo após a descoberta do Brasil em 1500, os portugueses tiveram que dominar e garantir a posse das terras contra vários reinos europeus que naquele tempo se expandiam descobrindo novas terras ou simplesmente tomando a terra dos outros à força, fazendo depois acordos com a coroa para acomodar a convivência entre eles na Europa. Nessa época, na posse, no domínio e nos acordos valia a lei do mais forte. Os holandeses e os franceses eram os mais terríveis interessados em tomar dos portugueses as terras descobertas. Os espanhóis que também foram grandes conquistadores lutavam para manter o outro lado do vasto continente. Para dominar a zona costeira e explorar o interior das terras descobertas, os portugueses usavam os índios como escravos no trabalho e nas lutas, capturados à força e muita brutalidade. E é aí que entra a história de Cunhambebe. Os índios eram pacíficos, não conheciam nada dos brancos, só conheciam a natureza que lhes dava tudo de comer e de curar alguma doença do mato, ferimentos ou comida mal digerida. Seus deuses eram as forças da natureza. Não tinham armas de fogo nem facas e facões porque não conheciam o metal, nem prisões. Os portugueses, para usar seu trabalho escravo, impunham grande pavor, matando, esfaqueando e prendendo com correntes de ferro os desobedientes.
Cansados de tanto sofrimento os índios começaram a se revoltar atacando os invasores em suas aldeias, porém, poupando as mulheres e crianças que para eles são criaturas sagradas. Diferente dos portugueses que quando atacavam arrasavam tudo matando quem estivesse pela frente. Caciques de diversas tribos, liderados por Cunhambebe, (Koniam-bebê) homem de dois metros de altura cujo nome vem de sua gagueira e fala arrastada, resolveram pôr um fim a tantas injustiças e combinaram um grande ataque para expulsar de vez aqueles homens brancos muito maus. Comandados por Cunhambebe e pelos caciques Aymberê, Caoquira e Pindobossú os índios eram muito numerosos. Os registros do Padre José de Anchieta indicam a chegada de mais de duzentas canoas com mais de vinte índios cada uma, além dos milhares que vinham por terra, provenientes das tribos situadas nas planícies acima da Serra do Mar. Se a batalha tivesse acontecido os portugueses seriam arrasados e expulsos do litoral de São Paulo, e os franceses, que dominavam o Rio de Janeiro e que se relacionavam muito bem com os índios daquela região, teriam tomado à terra brasileira das mãos da Coroa Portuguesa. A história seria outra. Mas a batalha não aconteceu. Os portugueses auxiliados pelos jesuítas que tinham grande poder sobre a bondade na terra e suas recompensas na eternidade conseguiram aplacar a ira dos chefes morubixabas com promessas de castigos divinos e muitas ameaças do furor das forças da natureza, que era a única coisa real que orientava as ações e os pensamentos daqueles homens primitivos em seu estado natural mais puro. É verdade que alguns índios duvidavam daquelas palavras, mas seu temor era tanto que não ficaram senão algumas memórias dessas dúvidas. Existe o registro de uma reclamação do cacique Aymberê que foi tema de uns versos escritos sobre aqueles tempos, que revela bem as dificuldades dos índios com as coisas que lhes eram ditas pelos padres. Diz um trecho do poema encontrado em velhos arquivos baseado nas indagações de Aymberê ao padre José de Anchieta:

"Não conhecem acaso os portugueses.
Essa pia doutrina que nos pregas?
Como, pois contra nós, em guerra assídua,
Sem medo de seu Deus, cruéis se mostraram?
Ou, só porque de deus ao filho adoram,
Lhes foi dado o poder de perseguir-nos?
Mas se do céu as leis desobedecem que deus é esse então que os deixa impunes,
E vem por tua boca ameaçar-nos?”

Os índios recolheram seus arcos, flechas e bordunas em atenção às promessas de paz e convivência com os brancos garantidas pelos jesuítas.


Depois de uma viagem do cacique Cunhambebe a São Vicente junto com o padre Manoel da Nóbrega para acerto dos acordos de fim das hostilidades, foi combinada a Paz de Yperoig, que serviu de argumento para o desânimo dos franceses que queriam ver os portugueses expulsos. Cunhambebe e seus guerreiros acreditaram na boa fé dos acordos.


Os vários chefes com seus homens se dispersaram, se desarmaram e voltaram para suas tribos, e até hoje se comemora a paz de Yperoig como uma data importante que garantiu a unidade do Brasil contra as ameaças de divisão, graças ao trabalho de catequese e união promovido por Anchieta, Nóbrega e seus companheiros.


Mas a história não comenta que logo depois de terem se desarmado e se dispersado os índios foram massacrados pelos rudes e estúpidos colonizadores portugueses interessados no ouro, nas riquezas e nas terras descobertas. "




Cunhambebe morreu doente, ferido no corpo e na alma, envergonhado diante da humilhação a que levou seu povo por ter acreditado na palavra dos brancos.


Sabendo da importância que os portugueses deram àquela data. Pouco antes de morrer o grande cacique lançou uma maldição contra os invasores e seus descendentes dizendo que :


" As terras de Yperoig que eles tanto quiseram seriam as terras do fracasso"


"Nada daria certo, tudo que se começasse não chegaria ao fim, grande entusiasmo no início e resultado miserável no final"


" As mangueiras de Ubatuba nunca dariam frutos"


" O céu iria chorar toda a traição e o sangue derramado"


Mas a maldição dos índios não é eterna, seu desejo não é vingança e sim serem tratados com dignidade e respeito, eles pedem reconhecimento.


Para acabar com os efeitos da Maldição de Cunhambebe existe o " Desagravo " dito pelos Pajés


O "Desagravo" seria um reconhecimento público do massacre que eles sofreram e, assim disse o Pajé :


"Este é o ano de Tupã (2008 de acordo com a crença indígena) e será o último ano para realizar o Desagravo.O Desagravo seria quando um "chefe branco" reconhecer publicamente a injustiça que os índios sofreram por serem os legítimos donos da terra.


Agora perguntamos :


Porque chove tanto em Ubatuba?


Porque cidades vizinhas com atrativos bem menores aparecem mais que Ubatuba?


Porque este constante abre e fecha de muitos comércios que tem tudo para dar certo e não dão?


Porque as mangas não crescem em Ubatuba se o clima é favorável e todas as cidades vizinhas têm lindas mangas?


Enfim ....tudo isso nos faz pensar naquele velho ditado espanhol :


“Yo no creo em brujas, pero que las hay , las hay ! “!




Esta é a história , mas , vocês pensam que ela terminou ?


Não!


Não, isso foi apenas o começo, depois de tudo o Deputado Clodovil resolveu dar continuidade , dar um epílogo a toda esta lenda, história, comentários. Pouco importa !


Mas a história está apenas começando em outro século, em outra época, continua , desta vez terá um fim !

* Texo extraido do Blog : wwww.deputadoclodovil.blogspot.com(Agradecimentos a Renato Nunes e Ronaldo Dias que atenciosamente colaboram com dados e informações)

Caiçara, quem é você?

Um povo dividido entre as tradições e a modernidade


"As manifestações folclóricas fazem parte da história de um povo, uma gente que, muitas vezes, não sabe nem escrever o próprio nome, mas tem uma cultura popular riquíssima. Essa cultura está se perdendo, sendo esmagada pelas construções, pela modernidade e pelas novas culturas que migram e se misturam..." - Nei Martins, folclorista, caiçara ubatubense

Carnaval de 1976. Nascia uma nova escola de samba em Ubatuba. "Mocidade Alegre do Itaguá" era o nome ideal para essa escola, que foi composta por um grupo de jovens amigos daquele bairro. Nei Martins era um dos componentes da "Mocidade" ubatubense. Para o primeiro de muitos carnavais que se seguiriam, o enredo do samba tinha que ser mais que perfeito. "Nós precisávamos de um enredo que tivesse a cara da cidade, da nossa gente, da nossa história. Decidimos por fazer um desfile que mostrasse a cultura popular do povo caiçara, conta Nei."

Foi durante a pesquisa que antecedeu a composição do enredo do Carnaval de 76, que Nei Martins percebeu o quanto os costumes e as tradições ubatubenses estavam se modificando. Cantigas, danças, comidas, roupas, modos de ganhar dinheiro... Tudo se transformava a olhos vistos, como a própria paisagem do município. Os costumes, antes adquiridos como herança de família num passado não muito distante agora vagavam, em fragmentos de memórias, aqui e ali. Não havia nada documentado em livros, a cultura caiçara estava ameaçada de extinção.

Naquele momento, um grande trabalho de resgate se iniciava na vida do jovem Nei Martins. Ele se apaixonou pelos "causos", pela devoção religiosa e pelas manifestações artísticas dos caiçaras. Começou a colher informações, depoimentos e imagens que remontassem a história. Passou anos, "proseando" com os antigos, anotando o que eles diziam. Ele acabou desenvolvendo um trabalho intuitivamente jornalístico, que descreve com detalhes personagens e experiências.

Transformações

As tradições de Ubatuba refletem a cultura dos espanhóis, índios e negros, adaptadas para a realidade da nossa gente. No caso do povo caiçara, o fato de morar na beira do mar, em meio à natureza contribuiu para que as manifestações culturais tivessem características próprias. Fandango, ciranda, chiba, cana-verde, recortada, dança da fita, corrida de canoas, festa de São Pedro Pescador e procissão de barcos são alguns dos costumes derivados do Brasil Colonial, suas festas, suas crenças.

Na década de 50, a exuberância da natureza ubatubense começou a atrair pessoas de outras cidades. Condomínios, loteamentos e estradas ergueram-se em lugares onde só se chegava andando por estreitos caminhos mata adentro. Os caiçaras sertanejos, artesãos ou pescadores, que viviam de vender mandioca, banana, farinha ou frutos do mar passaram a ser jardineiros, caseiros, porteiros, empregados dos veranistas que aqui construíram casas para passar férias com as famílias.

A inauguração da BR-101, em 1970 marcou um novo período de intensas modificações na cidade. Com a estrada, chegou também a eletricidade e por conseqüência, o mais sedutor dos meios de comunicação: a televisão. Segundo Martins, a soma desses fatores resulta em uma grande modificação no comportamento dessas famílias. "A televisão trouxe até o caiçara, um novo conceito de vida. Ele começa a se espelhar nas novas modas, muitas vezes sem condições adotar esses padrões. Nesse momento, o caiçara começa a perder sua identidade, tentando se identificar com coisas que não pertencem à sua cultura".

Um dos poucos jovens caiçaras que reconhecem e lutam para que as tradições não se percam é Mário Gato. Ele trabalha com um velho caiçara chamado "Seu" Ricardo e depois de ouvir muitas histórias e canções de seus antepassados, aprendeu a tocar e esculpir rabeca, um instrumento medieval parecido com violino. Gato conta que decidiu aprender a fazer e tocar rabeca para que esse conhecimento não se perdesse. "Como o Seu Ricardo já está velhinho, eu me senti na obrigação de aprender o instrumento porque, se ele falecesse, sem passar seu conhecimento para ninguém, levaria junto a tradição da rabeca".

Caiçara é uma cultura que resiste

Em Ubatuba, existe um bairro urbanizado, bem perto do Centro, chamado Itaguá. É um dos bairros mais tradicionais do município, apesar do inevitável avanço da modernidade. Entre as diversas atrações turísticas, os quiosques à beira mar, os shopping’s, bares, hotéis, restaurantes e pousadas, existe um povo que luta para manter suas tradições.

As festas realizadas na Capela do Itaguá seguem os ritos e os padrões de centenas de anos. A "Folia de Reis" ainda visita as casas do bairro em época de natal. Por ser um bairro tradicional, a maioria das pessoas se conhecem e seguem a doutrina católica. Mário Gato conta que a Folia de Reis é conhecida no bairro e faz parte das festividades de fim de ano. "Quase sempre visitamos as mesmas casas, mas quando as pessoas vêem na rua, pedem para levar a folia à sua casa, nós vamos, então, sempre tem gente nova sendo visitada também".

Um grande obstáculo para levar adiante as manifestações culturais caiçaras, tal como eram feitas no passado é falta de identificação desses costumes com os mais jovens. Tais costumes foram sendo trocados gradativamente por outras manifestações, difundidas, em grande parte, pela mídia. André de Abreu Damásio, caiçara de 27 anos diz que a cultura mudou tanto "de uns tempos para cá" que os jovens se sentem constrangidos de dançar os mesmos passos e vestir as mesmas roupas usadas por seus pais e avós. "A molecada hoje não quer saber, eles sentem vergonha. Os colegas dão risada, tiram sarro... Então, naquela idade entre 12 e 20 anos, eles acabam se afastando e não retornam mais."

André não liga para o que os outros pensam. Diz que participa por gosto, por diversão. Ele é mestre da dança da fita, tradição passada por seu pai, Élvio Damásio. "A gente não pode nunca esquecer das nossas tradições. Eu acho que um povo sem cultura é um povo sem memória."

Ubatuba não é um caso isolado. Em todos os lugares, a tecnologia mudou os costumes da sociedade. Novos conceitos vão sendo somados à cultura antiga, resultando em outros ritmos, passos de dança ou até mesmo a exclusão de alguns costumes. Em Olímpia, por exemplo, a tradição se mantém através da renovação. Os chamados grupos para-folclóricos são compostos por uma grande quantidade de jovens. As manifestações culturais se adequaram à realidade contemporânea, misturam o novo e o antigo, tornam-se atraentes aos olhos dos jovens.

Na opinião de Nei Martins, a única forma de preservar a cultura caiçara é dar apoio às fundações de arte que fazem um elo de ligação entre o antigo e o novo. Há muitos anos ele defende a criação de um Centro de Tradições Caiçaras, que trate exclusivamente da cultura dessa gente. "Desde as festas, a comida, o ato de esculpir uma canoa, tecer uma rede de pesca, cozinhar um peixe com banana, tudo centralizado em um só ambiente, mostrando para turistas e moradores que nós temos uma cultura, que temos orgulho disso e queremos mantê-la viva. Isso seria um grande passo, rumo à preservação da nossa identidade", sonha Nei Martins.


Nota do Editor Extraido do site www.ubaweb.com: Editor : Aline Rezende é jornalista, meio poeta, um tanto quanto caiçara e completamente utópica. PUBLICIDADE

OS EUROPEUS NA HISTORIA COLONIAL DE UBATUBA

Quando da divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, o território do atual Município de Ubatuba ficou incluído no da Capitania que mais prosperou - a de São Vicente - , doada por D. João III a Martim Afonso de Souza. Até o início do século XVII, a região era habitada pelos tamoios, que ai tinham numerosas e populosas aldeias, entre as quais se destacava a de Iperoig.
Ao que se sabe, o primeiro civilizado a chegar em Ubatuba foi o alemão Hans Staden, que serviu como artilheiro no forte de Bertioga, nas lutas entre portugueses e tamoios. Numa das incursões indígenas, foi Staden aprisionado e levado para Iperoig, onde permaneceu cativo durante vários meses, até que um francês, Guilherme Moner, comandante de um navio ali aportado, o resgatou. Isso aconteceu por volta de 1554, data da fundação de São Paulo. De volta a sua terra, Staden, relata a experiência no livro Duas viagens ao Brasil, documento importantíssimo para a história do país.
Instigados pelos franceses, os tamoios confederados passaram a atacar os portugueses, pondo em risco, entre outros, os incipientes núcleos de colonização: São Vicente e São Paulo.
Os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta decidiram, então, procurar os indígenas em seu próprio reduto - Iperoig - a fim de tentar uma paz duradoura. Depois de Hans Staden, foram eles os primeiros brancos a visitar importante aldeamento tamoio.
Não confiando nas propostas dos jesuítas, os indígenas mantiveram Anchieta como refém, enquanto Nóbrega voltava a São Paulo, acompanhado de alguns selvagens, para negociar o armistício. Foi durante o cativeiro que Anchieta escreveu, na areia da praia, os 5.732 versos do seu Poema à Virgem. Uma cruz assinala, hoje, o local.
A Paz de Iperoig, como passou à História a pacificação dos tamoios, foi assinada pelos portugueses e os índios em 14 de setembro de 1563. Teve como causa indireta da expulsão dos franceses, a fundação do Rio de Janeiro e conseqüentemente da manutenção da integridade territorial do Brasil.

Colonização - Por volta de 1600, Iperoig começou a despertar o interesse dos europeus. Nessa ocasião, era governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, e a donatária da Capitania de São Vicente a Condessa de Vimieiro. Ali se foi estabelecer, com sua família e aderentes, a mando do governador, o português Jordão Homem Albernaz da Costa (ou de Castro), natural da Ilha Terceira, nos Açores. Havendo construído logo uma capela, sob a invocação de Santa Cruz do Salvador, deve ser considerado o fundador da cidade e município de Ubatuba.
Os primeiros que, em 1610/11, obtiveram sesmarias em território ubatubense foram Gonçalo Correia de Sá, Martins de Sá, Salvador Correia de Sá, Artur de Sá, Belchior Cerqueira, Miguel Pires Isasa, Antônio de Lucena, Inocêncio de Inhatete e Miguel Gonçalves.
A antiga aldeia de Iperoig foi elevada à categoria de Vila em 28 de outubro de 1637, com o nome de Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba.

Participação Francesa - A partir de 1870, um acontecimento do Velho Mundo passou a influenciar a vida do município. Antes que deflagrasse a Guerra Franco-Prussiana, dezenas de famílias de nobres franceses transferiram-se com seus cabedais para Ubatuba, onde compraram grandes extensões de terras e organizaram fazendas, entregando-se ao cultivo do café, do fumo, da cana-de-açúcar, de frutas tropicais, de especiarias como a pimenta-do-reino e o cravo-da-índia. Alguns montaram olarias, outros ingressaram na Marinha Imperial. Em Ubatuba, construíram mansões senhoriais e um teatro.

Primeiros Italianos - Em 1874, uma certa Clementina Tavernari, de Concórdia de Modena, regressou do Brasil Imperial, onde era conhecida como Adelina Malavazi, com a incumbência de recrutar cinqüenta famílias de lavradores do norte da Itália. A intenção era fundar, na então província de Santa Catarina, um núcleo colonial que seria denominado Maria Tereza Cristina em homenagem a Sua Majestade a imperatriz, de origem italiana e casada com D. Pedro II. Trata-se do primeiro experimento de colonização italiana no país.
Enrico Secchi o professor que auxiliou como secretário Clementina Tavernari no recrutamento das famílias, acompanhando-as durante a viagem e permanecendo no Brasil, descreve sua chegada ao Rio de Janeiro e outras aventuras, entre elas:
"... na volta ao Rio de Janeiro, Enrico Secchi foi convidado a entender-se com Joaquim Ferreira da Veiga, servidor público e proprietário de uma grande fazenda chamada Picinguaba, no município de Ubatuba, ao norte da então província de São Paulo. Conseguiu a permissão oficial para retirar da hospedaria dos imigrantes cerca de 30 famílias há pouco chegadas da Itália, provenientes de Mántova, e também o transporte para a localidade. Um contrato foi feito com o proprietário, liquidando seus outros negócios e afazeres, dirigiu-se à Ubatuba, saiu recomendado pelo Cônsul Italiano em São Paulo: "deve-se ao sobredito Enrico Secchi um elogio por ter mostrado o máximo zelo em seu encargo..."
A viagem a Ubatuba, em 1887, foi a bordo do "piróscafo" Sepitiba, passando pelos portos de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty. Na chegada, foram recebidos pelo capitão Assunção que retornara do Paraguai, pelo senhor Veiga pai, Carlo Usiglio e grande número de pescadores residentes no local. Os colonos receberam lotes para trabalhar no plano e na montanha. Os dias, semanas, transcorreram na máxima calma, o trabalho se desenvolvia bem nas lavouras começadas.
Eis que uma forte maré inundou a parte plana e as águas entraram nas casas, somente por milagre foi possível salvar a vida de todos. Houve grande pânico e um desânimo tal que boa parte abandonou o local rumo a São Paulo, outros voltaram ao Rio de Janeiro e dali foram despachados pelo Governo Imperial ao núcleo colonial Rodrigo Silva, perto de Barbacena, em Minas Gerais.
Os que ficaram em Ubatuba cultivaram cana cuja colheita perdeu-se por não estarem prontos os alambiques prometidos, o pessoal desanimou. Enrico, a mulher e duas filhas tiveram uma saída de Ubatuba muito sofrida, obrigados a atravessar a pé a Serra do Mar para alcançar o Porto Paraty e daí embarcar num pequeno "piróscafo" para o Rio de Janeiro."

fonte : www.refugioambiental.com.br

FAZENDA DA CAIXA : Um fragmento de história em solo ubatubense




Quando alguém se dispõe a desvendar os mistérios de Ubatuba, pode ter certeza que encontrará muitos motivos para se encantar e muitas surpresas pelo caminho. As paisagens paradisíacas, o passado se misturando com os tempos atuais, a mata verde que cobre cada pedaço de chão e esconde os mistérios, as histórias, as lendas, o povo caiçara...

O passado está presente em pequenos detalhes encontrados aqui e ali. A Fazenda da Caixa é um desses fragmentos da história que resistem ao tempo e à falta de recursos para restaurá-los e mantê-los como provas vivas da importância de Ubatuba no contexto da formação do Brasil.
Indo pela BR-101, em direção ao Rio de Janeiro, cerca de 30 km do Centro, de um lado avista-se a Praia da Fazenda, majestosa e bela. Do outro, há uma entrada sutil, que parece querer conduzir ao interior da Mata Atlântica. Seguindo por essa estradinha de terra, percebe-se que é uma pequena vila, de moradores legitimamente caiçaras. Algumas casinhas de pau à pique, outras de bloco, senhoras na janela, crianças com pouca roupa, brincando nos quintais de terra. De repente, o caminho se bifurca e, ao final da estradinha à esquerda, uma construção diferente obriga o motorista a interromper sua viagem.
Ali, ao lado de um rio límpido e raso, ergue-se um grande moinho, uma roda de engenho, movida pela força da água. Nas paredes do fosso que abrigam a roda de madeira, uma demonstração da contribuição e do trabalho dos escravos. Pedras gigantescas encaixadas perfeitamente, pesadas colunas, uma chaminé bem alta, construída de tijolinhos, uma caldeira de ferro, corroída pelo tempo. No passado, mais precisamente no século XVIII, essa fazenda tinha o objetivo de beneficiar a cana, transformando-a em álcool, cachaça e açúcar. Embrenhada na mata está a Trilha do Corisco, que termina em Paraty e era uma das rotas por onde as mercadorias produzidas na ?Fazenda da Caixa? seguiam. O rio, nessa época, era navegável, permitindo que a produção também seguisse em embarcações.
Hoje, os tempos são outros. A Fazenda da Caixa é chamada de ?Casa da Farinha?, porque foi adaptada para a produção de farinha de mandioca, na década de 50. Virou propriedade do Governo do Estado e está situada no Núcleo Picinguaba, uma área de preservação que impede o plantio de mandioca na quantidade necessária para realizar a produção de farinha. A terra utilizada exaustivamente cansou-se de produzir e a Casa da Farinha só funciona de vez em quando.
Para as pessoas que gostam de ouvir histórias e conversar, não basta ver as paredes, é preciso ousar um pouco mais e procurar as pessoas que moram nos arredores da Fazenda. Os caiçaras mais velhos adoram receber visitas e contar seus ?causos?. A cultura desse povo está se perdendo, mas ainda é possível encontrar pessoas que conhecem os costumes passados de geração para geração. Indo um pouco além da ?Casa da Farinha? tem a casa do ?Seu? Zé Pedro, um senhor simpático, descendente de escravos, dono de uma grande sabedoria. Seu Zé parece estar preparado para conversar sobre qualquer assunto. Apesar de não ter televisão, nem tampouco energia elétrica, assim como todos os moradores dali. É um homem politizado, um líder comunitário que conhece a todos e batalha por seus interesses. Ficando amigo do Seu Zé, o resto ele apresenta, conta a história da Fazenda da Caixa, da Casa da Farinha, dos escravos, da política municipal, das venturas e desventuras do povo caiçara e muito, muito mais...
Conversar com ele é ficar sabendo dos tempos em que a BR-101 não existia e os moradores iam para ?a cidade? num pequeno barco, que ia buscando os moradores em diversas praias pelo caminho. ?A gente pagava um cruzeiro pro dono do barco, mas acho que ele é que devia pagar uns três cruzeiros pra gente andar no barco dele. Espirrava um monte de água e balançava muito, a gente chegava molhado na cidade. Em Ubatuba tinha só uma pousada, tinha que pagar adiantado e não podia chegar depois das oito. Um dia, chegamos e já estava fechada, batemos na porta e o dono saiu bravo. Então, pedimos o dinheiro de volta e ele resolveu deixar a gente dormir, chegando no quarto, era pulga pulando pra todo lado?, diverte-se com a lembrança Seu Zé Pedro.
Enfim, conhecer Ubatuba, não é apenas tomar sol na Praia Grande, passear pela avenida e tirar foto no farol. Para quem não se contenta com o costumeiro, as surpresas são infindáveis. Beleza e história se misturam a cada palmo de chão. É preciso sair desvendando, buscando e pesquisando. Invariavelmente, o que acontece com quem ousa é se apaixonar perdidamente por essa terra e não querer mais ir embora, porque demora um bom tempo para descobrir tudo o que há.


FONTE : Prefeitura de Ubatuba

Sábado, 27 de Junho de 2009

CONFIRA AGORA A SEQUENCIA DO LIVRO " Ubatuba, espaço,memória e cultura"

9.
PRAIA DA MARANDUBA


Localização




A Praia da Maranduba localiza-se ao sul, a 28 km do centro de Ubatuba sendo o penúltimo bairro do município. Sua localização geográfica fica entre as praias do Pulso e Sapé, esta última é continuação na mesma faixa de praia da Maranduba.
AcessoAssim como tantas praias de Ubatuba, Maranduba é em toda sua extensão margeada pela rodovia Rio – Santos, BR-101, sendo esta o único acesso principal vindo do sul – Caraguatatuba, ou, do Norte, centro de Ubatuba. As linhas de ônibus da empresa Cidade de Ubatuba oferecem vários horários, a empresa Litorânea que faz a linha Ubatuba - Caraguatatuba – Ubatuba, oferece a toda hora o transporte coletivo.


Visão



Maranduba, grande em sua extensão, bela em sua paisagem nos faz lembrar um pouco a praia Grande com seus quiosques e muita gente bonita à beira mar. Praia de ondas não tão grandes que agrada a todos, famílias e alguns surfistas principiantes. Possui poucas árvores e algumas casas ou pousadas. Faz divisa com a praia do Sapé, onde em uma única faixa de praia formam um trio: Lagoinha, Sapé e Maranduba. Logo à frente da praia podemos visualizar uma ilha muito próxima com o mesmo nome, Maranduba, ou Ilha do Tarmerão.
As opções para lazer, além de suas águas podem ser os passeios de escuna na baía seguindo até a ilha da frente ou até a praia Grande do Bonete, outro lugar incrível, correndo o risco de ver os graciosos golfinhos e até baleias em determinada época do ano. Uma das atrações principais é o tobo àgua, ou tobocean que fica flutuando em alto mar, e também se divertir com caiaques e banana boalt disponível para aluguel.
Para quem gosta de praticar traiking, mais conhecida como caminhada, no final da mesma faixa longa das três praias, saindo da Maranduba, passando pelo Sapé e finalizando na Lagoinha, bem no canto começa uma trilha de no máximo 40 minutos, passando pelas praias do Perez, do Bonete, Grande do Bonete até a do Deserto. Uma trilha fácil de fazer e ideal para principiantes nesta prática com um visual de mar e mata fantástico.
Maranduba também tem algumas histórias: em 1827, o Sr. João Agostinho Stevemé foi dono de quase toda a área plana e de plantações próxima à faixa costeira do bairro. Próximo desta praia, na Fazenda Bom Retiro, localizadas hoje as Ruínas da Lagoinha, utilizava-se o atracadouro de Maranduba para assim transportar a pinga fabricada neste lugar na época do Império, no auge da cana de açúcar.

Curiosidades à parte, a palavra Maranduba, era a denominação Brajahimerinduba, supõe-se que esta estranha palavra tenha sido uma junção de Brejaúva4 e Maçaranduba5. Também Maranduba que em língua indígena quer dizer conjunto de histórias bonitas refere-se ao relato das gerações que são contadas onde os valores e cultura, conquistas e atos de heroísmo atravessam o tempo e permanecem vivas nas memórias do presente de um povo.
Maranduba é cercada pela Mata Atlântica, fazendo com que a imagem do local seja de uma região interiorana. Dali, próximo, existe uma estrada que leva em questão de minutos ao Sertão da Quina, um bairro grudado com a Maranduba que é uma opção diferente com esse ar interiorano para àqueles que se cansam do mar. Lá dentro é possível desfrutar de um conjunto de maravilhosas cachoeiras, onde a mais famosa é a da Renata, tendo como opções de hospedagens ótimas posadas e chalés. A paisagem que pode ser vista de alguns pontos da região é linda. Mas, Maranduba desenvolveu sua independência por conta da distância, quase 30 km do centro de Ubatuba. Tanto que possui um mini centro comercial com lojas, farmácia, supermercado, posto de atendimento médico, inclusive uma subprefeitura regional dando assistência a uma espécie de desenvolvimento social na região.
Uma rede hoteleira razoável que atende a grande demanda de visitantes e turistas freqüentadores assíduos da região sul, existe com muitas pousadas e chalés e também para àqueles que procuram algo mais simples existem campings bem próximos da praia.
A alimentação pode ser bem diversificada a gosto do cliente. Além dos quiosques com drinks gelados que acompanham sabores exóticos dos pratos de frutos do mar, existem restaurantes e lanchonetes no seu mini centro comercial, e também mercados com variedades em alimentos.
Demanda TurísticaSua demanda é bem variada, recebendo todo tipo de turistas ou excursionistas, são na maioria de classe média. Por sua fácil localização e acesso, Maranduba tem um grande movimento mesmo fora de temporada, e na “alta temporada” chegando a dobrar, principalmente porque atende a uma demanda de turistas e visitantes da cidade vizinha, Caraguatatuba.




10.


PRAIAS DA CAÇANDÓCA E CAÇANDOQUINHA


Localização



A praia da Caçandoca e a Caçandoquinha localizam-se ao sul, a 30 km do centro de Ubatuba. Geograficamente, Caçandoca está entre a Caçandoquinha e a praia do Pulso, e a Caçandoquinha entre a praia da Raposa e Caçandoca.


Acesso


O acesso de carro às praias da Caçandoca e Caçandoquinha é pela rodovia Rio – Santos, exatamente no Km 78 da Br 101. Uma estrada, a partir da rodovia principal de 3 km de percurso, leva à Caçandoca, onde ao lado direito dessa, por uma trilha curta, chega-se à praia da Caçandoquinha. O acesso de ônibus para ambas é pela rodovia, por meio da empresa Atlântico que faz a linha Ubatuba–Caraguatatuba– Ubatuba. O ônibus não entra pela estrada de terra até a praia, e o restante do caminho tem que ser feito a pé.


Visão


Tanto Caçandoca como Caçandoquinha são praias com uma vegetação variada da Mata Atlântica, e suas águas, são de um azul intenso, com poucas ondas. Na Caçandoquinha há areia monazítica, ideal para tratamento medicinal. Laranjeiras, coqueiros, amendoeiras, caraguatás fazem atraem arapongas, baitacas, periquitos, sabiás, tucanos e pica-paus.
Como tantas outras praias de Ubatuba, Caçandoca e Caçandoquinha guardam, além da beleza natural e exuberante, histórias dos negros quilombolas de Ubatuba. Caçandoca e Caçandoquinha abrigam famílias, moradores que são descendentes dos quilombolas. A colonização desse trecho foi feita por José Antonio de Sá, que tinha o monopólio de Caçandoca em 1881. As terras foram deixadas, depois, como herança a seus filhos.
Caçandoca e Caçandoquinha não têm infra-estrutura turística, e o visitante deve encontrar pousadas e hotéis nas praias próxima.

Demanda Turística


As duas praias são procuradas por excursionistas e adeptos de aventuras, instigados pelas belezas naturais da paisagem que desafia. O longo caminho de terra até suas areias e as trilhas fabulosas e históricas, longe do movimento de multidão, impressiona o turista que acha neste recanto da natureza selvagem um saudosismo de origem africano que paira por essas redondezas.




ITINERÁRIO DO OLHAR



1.

A PRAIA DO BONETE




Localização


A praia do Bonete está localizada a 31 quilômetros ao sul do centro de Ubatuba, e é também conhecida como “Bonetinho”, em relação à Praia Grande do Bonete que fica a 33 quilômetros do centro urbano. Ambas as praias são vizinhas da Lagoinha e da Fortaleza.


Acesso

O acesso à praia do Bonete e do Bonete grande pode ser feito por trilhas ou de barco. É possível ir de carro até o condomínio da praia da Lagoinha e seguir a pé por uma trilha, ou também pela praia da Fortaleza, trilha de 30 minutos de subida íngreme de um morro. Há barcos que saem da praia da Lagoinha e levam turistas para qualquer uma dessas praias.


Olhar


A praia do Bonete é de uso público, e conservada por um caseiro, responsável pela limpeza da mata ao redor da casa, e nas imediações da trilha de acesso. A areia é semi-branca e de granulométrica média. A água do mar é semiturva e esverdeada, com vegetação considerável de abricoteiros – este tipo de árvore se apresenta em quase toda a extensão litorânea de Ubatuba, e o fruto, é uma espécie de pêssego menor que um damasco. É interessante notar a semelhança do nome dessa fruta com o termo apricot, que significa damasco, em francês.
O Bonete apresenta mar de tombo. Não existem degradações nem impactos visíveis na praia, pelo fato de o acesso ser restrito, tornando-a um local singular e selvagem.
A praia não tem infra–estrutura de hospedagem e a alimentação é restrita a um pequeno bar improvisado. Não há visitas guiadas no lugar nem se paga taxa de visitação. Ela é propícia para excursionistas que a visitam de preferência nos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro.

O Bonete foi um local que serviu de moradia para os escravos das fazendas da região. Uma vez por ano esses escravos se juntavam aos moradores da remanescente quilombada da Caçandoca para festejar e realizar manifestações populares de caráter religioso. A atividade enconômica principal da região é a pesca.
Em contrapartida a este recanto do Bonete, existe a praia grande do Bonete, que também apresenta uma bela paisagem de dois quilômetros de extensão da orla marítima. Existem alguns bares na região central e uma porção de casas de veraneio, mas nehum hotel, nem restaurante, nem mesmo áreas de camping, atividade proibida, mas praticada com certa frequência. Existe um pequeno vilarejo de pescadores na localidade.
O local possui alguns bares que, durante a alta temporada funcionam no periodo noturno, com alguns atrativos, como música ao vivo. A praia grande do Bonete é considerada uma praia de tombo, com areia semibranca e de granulometria média, pedras médias e grandes na parte lateral da descida da trilha. O mar e a vegetação têm as mesmas características que as de sua irmã menor, um convite ao deleite dos sentidos, principalmente do olhar.
Na praia grande do Bonete levam-se a efeito duas celebrações consideradas manifestações populares, ambas de caráter religioso. A primeira delas, Festa de São Sebastião, é organizada por moradores e o padre da igreja de Maranduba, que vai esporadicamente até o local para a celebração da missa. Essa comemoração começa na praia com uma corrida de canoas: primeiro os homens, depois as mulheres, com percurso desde a praia grande do Bonete até a plantação de mariscos na praia do Bonetinho. Após a competição, há uma procissão na qual São sebastião é levado em uma grade canoa enfeitada com fitas multicoloridas. Logo após a procissão, todos se reúnem na igreja para celebração da missa, seguida por uma festa, que dura todo um dia.
Outra festividade religiosa é a de Santana, que acontece em 25 de julho, e tem a mesma programação.

Demanda turística

Os visitantes da praia do Bonete são, em sua maioria, provenientes de São Paulo, Caraguatatuba e arredores. Praia afastada, não registra o chamado turismo de massa, e por isso há pouca infra-estrutura para turistas.


PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO : Dia 10 de julho 2009 - Intinerário do Olhar :

- Praia Domingas Dias, Lázaro e Sununga

Sábado, 20 de Junho de 2009

Evento homenageia sobreviventes da rebelião no presídio da Ilha Anchieta

O encontro dos Filhos da Ilha chega a sua 12ª edição e neste ano terá uma programação especial com várias trilhas culturais
No próximo dia 27 de junho será realizado o XII Filhos da Ilha Anchieta, um encontro de sobreviventes e familiares dos soldados do presídio que moravam na ilha durante a rebelião ocorrida no dia 20 de junho de 1952.
No dia 19, em Taubaté, acontecerá a primeira etapa do evento, onde as famílias de Filhos da Ilha se reunirão para homenagear seus heróis e também para uma confraternização, uma vez que eram moradores da Ilha Anchieta e voltaram a morar em Taubaté quando o presídio da ilha foi fechado em 1955. A confraternização será no 5º Batalhão de Polícia Militar em Taubaté, que era subordinado o Destacamento Policial Militar da Ilha Anchieta na época da rebelião.
Já no dia 27 de junho, uma caravana sairá de Taubaté com destino a Ilha Anchieta, onde a partir das 10h30 terá início a programação, que contará com várias trilhas culturais alusivas ao evento enfocando fatos do dia a dia dos Filhos da Ilha.
A Prefeitura de Ubatuba apóia o evento, que é aberto ao público. Quem tiver interesse em participar e conhecer um pouco mais da história deverá estar no píer do Saco da Ribeira por volta das 8 horas. O transporte será feito pela empresa Mykonos, pelo preço de R$ 20. Mais informações com Tenente Samuel (12) 9709-5687, Presidente da Associação Pró- Resgate Histórico da Ilha Anchieta e dos Filhos da Ilha.

(Fonte: Prefeitura Municipal de Ubatuba)