segunda-feira, 12 de novembro de 2018

IPEROIG, UMA HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA



Tão importante quanto o dia 28 de outubro, o 14 de setembro também é um feriado em Ubatuba. Mas poucos sabem porque. O 14 de setembro lembra que a história de Ubatuba está enraizada lá nos primeiros anos do Brasil colônia e é uma historia de resistência, bravura e traições.
Cabral maravilhou-se com a recepção amistosa dos índios tupiniquins  em1500   mas,   aqui na  região, 50 anos depois,  entre Cabo Frio e Bertioga os índios Tamuias ou Tamoios –que significa  “os mais antigos donos da terra, os primeiros” –  travaram guerra direta com os “pêros”, como eles chamavam os portugueses.
Tamoios é um nome genérico que reúne várias tribos num mesmo grupo como os Tupinambás, Guaianases e Aimorés.  No meio, a aldeia de Iperoig, o primeiro nome de Ubatuba.




Massacres e escravidão

Os índios da região começaram a resistir à ocupação quando os “pêros” começaram a invadir aldeias aprisionando índios em busca de braços escravos para as recém iniciadas lavouras de cana em São Vicente,massacrando mulheres e crianças, coisa que os índios, mesmo antropófagos, nunca faziam. Semulheres  e  crianças não lutavam,  por quê      matá-los? Eles não entendiam.

A união dos 5 chefes

Por vezes as datas se desencontram, mas por cerca de duas décadas, entre 1554 e 1575, a união de cinco chefes indígenas, depois conhecida como Confederação dos Tamoios, foi a única resistência organizada contra a colonização portuguesa.
Liderados pelo tupinambá Cunhambebe, de Angra dos Reis, o chefe Coaquira, de Ubatuba, Pindobuçu mais Aimberê, de Cabo Frioe Ararai, chefe dos Goianases,os índios, hábeis canoeiros e bons no arco e flecha, passaram a contar também com algum apoio armado dos franceses que ocuparam a aldeia dos cari ou cari-oca, a casa dos brancos, como os índios chamavam o Rio de Janeiro.
Mas sendo calvinistas evangélicos, isso só reforçavam as razões para mais ataques dos católicos portugueses aos índios e aos “mairs” ou franceses.
Atazanando a vida
As constantes ações dos índiosinfernizavam e muito a vida dos lusitanos. Por exemplo, em 9 de julho de 1562, aos gritos de “jukaíkaraíba!” (morte aos portugueses!) os Tamoios atacaram em massa a então pequena São Paulo do Piratininga. Não fosse a ação de João Ramalho e do cacique Tibiriçá, hoje enterrados na igreja da Sé,por pouco São Paulo não foi varrida do mapa.
Por isso, os “pêros” queriam negociar. Apelaram para os padres jesuítas José de Anchieta, que falava muito bem o tupi-guarani, e Manoel da Nóbrega,para que buscassem conversações de paz. Eles chegaram nas praias de Ubatubaem 1563, vindos de São Vicente num navio do italiano Francisco Adorno.
Foram recebidos aqui pelo próprio Coaquira que os hospedou na sua aldeia de Iperoig. Os outros chefes foram chamados. As conversações eram longas, enroladas.
Por exemplo: Aimberê perdeu as primeiras reuniões, chegou atrasado. Quando viu todos reunidos de boa, esculhambou com os outros chefes por já entrarem na conversa dos padres.
Aimberê preferia ver Nóbrega e Anchieta assados e devoradosjunto com a cabeça de três chefes tupiniquins de São Paulo, entre eles Tibiriçá que ajudavam os pêros. Daí que as primeiras negociações não foram nada fáceis.

Comissão de frente

Aimberê era o mais revoltado pois tinha perdido mãe e irmãos num ataque português à sua aldeia de Uruçumirim e viu seu pai Cairuçú morrer por maus tratos como escravo. Ele próprio só se salvou fugindo de São Vicente.
Aimberê impunha condições que envolviam a soltura de todos os índios escravizados e o fim das invasões de aldeias. Os padres negaram-se a entregar os outros chefes.
Foram vários dias de discussões e ameaças de morte. Venceram os argumentos dos caciques Coaquira e Cunhambebe. Decidiram mandar uma comissão de negociação, de volta a São Vicente para conversarem com as “autoridades” portuguesas, com Nóbrega, Aimberê e Cunhambebe
Foram meses de espera, entre maio e setembro. Anchieta tinha ficado aqui em Ubatuba como refém. Nesse entretempo, conta a lenda, o padre –que “sofria de espinhela caída” ou dor na coluna, era corcunda- teria escrito nas areias da praia de Iperoig, 5.732  versos num poema à Virgem Maria, decorando-os para reescrevê-lo depois.



A paz de um ano

Em 14 de setembro de 1563,a comissão voltou com a notícia do acordo. Os portugueses prometeram que nãoescravizariam mais os Tupinambá do litoral e esses, por sua vez, não atacariam as vilas e fazendas dos pêros. Isso ficou assim conhecido como a Paz de Iperoig.
Mas a tal paz durou pouco mais de um ano.A guerra deu um pequeno alívio, mas as escaramuças retornaram. Os portugueses voltaram a atacar a aldeia de Coaquira. A Confederação voltou a mostrar força.
Cunhambebe havia morrido de varíola. Aimberê assume a liderança. Chefes de aldeias mais afastadasinvadiam fazendas e engenhos em pequenos grupos.
Foi quando o rei português apelou para Estácio de Sá, sobrinho do governador do Rio. A ocupação francesa de 10 anos já preocupava. Os índios também.Em 8 de janeiro de 1567, com o reforço de três galeões vindos de Portugal e dois navios de guerra com canhoneiras,1.500 soldados mais ajuda dos índios de Araribóia.
Estácio de Sá começa um contra-ataque até o fim dos resistentes. Foram varridos do mapa. O próprio Anchieta, descreve em livro“os feitos de Mem de Sá, herói das plagas do Norte”com detalhes desta “batalha sangrenta em que as armas lançaram o inimigo, nativos e calvinistas, ao extermínio medonho, contando 160 aldeias incendiadas, mil casas arruinadas”.


Começa a colonização

Pestes como o sarampo e a varíola acabaram com os Tamoios restantes. Já no início do século 17, não havia mais nenhum índio Tupinambá no Sudeste do Brasil. Alguns poucos remanescentes refugiaram-se na Serra do Mar ou avançaram Brasil adentro.
Dizimados os índios, colonizadores brancos puderam, enfim, ocupar as terras ubatubanas. Jordão Homem da Costa, fundador de Ubatuba, era um nobre português dos Açores, seguido por outros como Salvador Corrêia de Sá, nome da rua onde funciona o anexo da Câmara.
Iperoig teve seu nome mudado paraVila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba conseguindo a emancipação em 28 de outubro de 1.637. A data é tida hoje como o aniversário da cidade.
Com a expansão do café no Vale do Paraíba, a cidade torna-se grande porto exportador. Em 1855 tornou-se Comarca de Ubatuba e em 1944 Estância Balneária. Hoje, com quase 80 mil habitantes, Ubatuba luta para fortalecer-se como cidade turística, buscando desenvolvimento sustentável , cobrando saneamento, melhor educação,  mais saúde e pela ampliação de oportunidades de trabalho.

O BRAZÃO DOS 5 ÍNDIOS

A história relata embates entre portugueses e índios até por volta de 1575, quando Aimberê morre próximo a Cabo Frio. Assim, restou a memória desta guerra de doze anos, tida hoje pelos historiadores como a maior organização indígena de resistência à ocupação dos brancos na história das três Américas.
Toda cidade, todo Pais tem seus símbolos cívicos, como a bandeira e os brazões. A Bandeira do Brasil é um símbolo da Pátria, por exemplo. Um brazão é uma espécie de desenho que conta um pouco da história da cidade.

Como nasceu

Em 28 de outubro de 1937, aniversário da cidade, o então prefeito Washington de Oliveira- “seu” Filhinho- enviou à Câmara o projeto de lei para instituir os símbolos ou o brasão da cidade com uma justificativa resumindo o significado dos mesmos:
A cruz que foi empunhada pelos missionários José de Anchieta e outros, lembra o nome dado à cidade pelo seu fundador, Jordão Homem da Costa, depois de afastados os indios tamoios:
                      Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba
As duas plantinhas ou “dois caniços cruzados ao pé da cruz lembra as origens do nome Uba-tuba, palavra de origem indígena, significando lugar onde tem muitos pés de ubá, espécie de cana silvestre ou cana-do-rio usada para fazer flechas”. 
Finalmente, a canoa com cinco remadores navegando no mar, lembra a atividade dos indígenas estabelecidos nesta região. Os 5 remadores na canoa são:Cunhambebe, Aimberê, Pindabuçu, Coaquira e Araraí, os chefes que formaram a Confederação dos Tamoio.
Serve de timbre ao escudo, a coroa mural de ouro convencionalmente adotada para caracterizar as armas dos municípios e cidades.

Idéia de monumento

Os cinco tamoios, primeiros heróis genuinamente nacionais, foram assim, perpetuados no brasão de Ubatuba.  O diretor da Câmara, Marcos Roberto dos Santos, estudiosos da história ubatubana defende uma homenagem, digamos,  mais concreta à memória local lembrando que a única cidade que valoriza a Paz de Iperoig é a cidade de Bertioga, que numa linda estátua de bronze, resgatou para o Litoral a história de Cunhambebe.
Em discurso feito da Tribuna Popular, falando da Paz de Iperogi, ele sugere que “além da homenagem ao Padre José de Anchieta, nesse monumento, que se dê aos nossos chefes Tamoios, ou seja, aos mais velhos da terras, Cunhambebe, o grande cacique, Aimbiré, Coaquira, cacique de Ubatuba, Pindobuçu e Araraí, justamente os cinco índios que remam na canoa do brasão desta cidade, uma estatua que homenageie e lembre a bravura e amor desses homens as terras caiçaras”.

FONTE.....CÂMARA MUNICIPAL  DE  UBATUBA  SP



Por que São José de Anchieta é bastante retratado escrevendo na areia?



Durante as negociações para o primeiro tratado de paz na história do Brasil, o armistício de Iperoig, São José ficou refém dos índios tamoios para que Pe. Nóbrega, junto aos outros caciques fizessem um acordo com as autoridades da coroa Portuguesa no Brasil.

RÁDIO IPEROIG , A 1 ª DE UBATUBA .......

 RADIO IPEROIG AM..............A 1 ª Rádio de Ubatuba - SP


A primeira estação de rádio de Ubatuba – Rádio Iperoig – AM. A Rádio Iperoig foi a primeira emissora de rádio de Ubatuba e, segundo informações fornecidas pelo radialista Clementino Soares, ubatubense, cooperador e locutor nos primeiros anos da rádio Iperoig, o surgimento da rádio se deu por volta do ano de 1957. Antonio Topedini Pagâno, engenheiro eletrônico e também funcionário da VASP - Viação Aérea São Paulo - .....

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

15º Salão Ubatuba de Artes Visuais



Após meses de organização, o 15º Salão Ubatuba de Artes Visuais teve sua abertura oficial no dia 9 de novembro e consolidou-se como o maior do seu segmento no Litoral Norte de São Paulo.

A História do Camarão na Moranga




Para entender a história do Camarão na Moranga, vamos primeiro conhecer um pouco do local que deu origem a esse prato tão especial. Em Ubatuba temos a Ilha Anchieta, que é a 2ª maior ilha do Litoral Norte paulista, com 828 hectares de exuberante Mata Atlântica em meio a montanhas e praias de águas cristalinas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

GRUPO FANDANGO UBATUBANO


O Fandango chegou ao Brasil através dos portugueses, vindo dos açores no séc. XVIII. É um gênero musical e coreográfico, fortemente associado ao modo de vida da população caiçara.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

AS IMAGENS E NOSSAS AVALIAÇÕES

Avenida Yperoig - Ubatuba - 1970 (foto postal)
              A imagem acima possibilita muitas reflexões. Olhando-a, faço questão de destacar:
              a) A avenida tinha um canteiro central maravilhoso, que diminuia o impacto do asfalto;

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

UBATUBA DESTAQUE NAS LOTERIAS FEDERAL



Duas curiosidades da Loteria Federal referente a Comemoração da Festa de São Pedro Pescador do ano de 1997. 





Naquele ano, os bilhetes da loteria foram confeccionados homenageando a tradicional festividade, e outra de 1984 c/ o Casarão de Ubatuba em destaque.

Odaury Carneiro

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Lei das escolinhas de surf começa a ser discutida





Ubatuba - O projeto de Lei que vai regulamentar as escolinhas de Surf de Ubatuba começou a ser discutido durante reunião na sede provisória da Associação Ubatuba de Surf, na terça-feira, dia 13 de setembro. 

DONA OPHÉLIA RECEBE MOÇÃO DE CONGRATULAÇÕES


Vereador Charles ao lado de Dona Ophélia



Na terça-feira do dia 27/09, o vereador Charles Medeiros entregou uma moção de congratulações á Dª Ophélia, membro da melhor idade de Ubatuba que além de possuir uma voz melodiosa, fundou o bloco carnavalesco "Recordar é Viver". 

Prefeito assina escritura da sede da Apae





O prefeito de Ubatuba, Eduardo Cesar, recebeu em seu gabinete, nesta segunda-feira, 8, os conselheiros da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Ubatuba para a assinatura da escritura de doação de área para a construção da nova sede da Apae.

AVENIDA MANOEL DA NOBREGA VAI GANHAR CARA NOVA.....




A obra iniciada na avenida Manoel da Nóbrega, no Perequê-Açu está dando uma cara nova ao bairro. A obra se iniciou há poucos dias e não está nem com 10% pronta, mas já mudou o perfil da avenida. 

M D U QUER CASSAR O PREFEITO....



Notícia publicada no Jornal A Semana na Rede em...02/05/2003

A Câmara Municipal decidiu acatar denúncia apresentada pelo MDU (Movimento em Defesa de Ubatuba) sobre descumprimento de decisão judicial, quanto as medidas que deveriam ter sido tomadas pela prefeitura contra o lançamento de esgoto clandestino nas águas do Rio Acaraú. Por sete votos a seis, o Legislativo aprovou a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar os fatos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

1986............O DIA EM QUE O COMETA HALLEY PAROU UBATUBA..................












Você Sabia?

Que mais de 15 mil ubatubenses sairam de suas casas 


para ir a noite aos mirantes da cidade para ver o Cometa 

Hurley passar?

Ubatuba perdeu, no último dia 19, um de seus mais importantes moradores


Recordando postagem compartilhada aqui no blog Ubatubense no dia 30 de Julho de 2016
 
 
Ubatuba perdeu, no último dia 19, um de seus mais importantes moradores. Washington de Oliveira, conhecido como Seu Filhinho, faleceu aos 93 anos. O enterro aconteceu no sábado, dia 20, no cemitério Santa Cruz.