segunda-feira, 27 de abril de 2009

GRANDES UBATUBENSES - DR ESTEVES DA SILVA



Poucas cidades tem a ventura de possuir, entre seus filhos, homens como João Diogo Esteves da Silva. Modelo de firmeza, de honestidade e de abnegação, seu exemplo é um incentivo às gerações vindouras - sua vida uma das mais puras glórias de Ubatuba.

Desde moço lutando com as dificuldades da pobreza, Esteves da Silva não se amedrontou ao encarar a vida. Ela era áspera e ingrata; ele, moço e confiante em seu próprio valor! Formado em medicina, com mil dificuldades, não se limitava aos deveres do ofício. Seu patriotismo dava-lhe forças para as mais grandiosas realizações. Compreendendo nitidamente que o magno problema brasileiro é a instrução, dedicou-se de corpo e alma à tarefa humilde e trabalhosa do ensino, sendo um dos grandes batalhadores da alfabetização em nossa terra. Devido á sua dedicação criou-se o "Ateneu Ubatubense", essa modelar casa, incontestavelmente uma das melhores organizadas escolas do litoral paulista e cujas ruínas ainda hoje podem ser vistas. Era aí que a juventude ubatubense ia receber os ensinamentos preciosos, não só das primeiras letras, mas também de francês, de latim, de música, de retórica etc.! Aí recebeu as primeiras luzes da cultura brilhante que hoje possui, o mestre insigne que possuímos na tradicional Faculdade de Direito de São Paulo, dr. J. J. Cardoso de Melo Neto, honrado governador do Estado. E muitos outros lembrarão ainda de Esteves da Silva, aquele professor devotado, o mesmo que à própria custa mantinha um curso noturno gratuito, dando ele mesmo o maior número das lições. O "Ateneu Ubatubense", que em 1901 recebeu menção honrosa na Exposição Regional de Iguape, chegou a possuir em sua biblioteca cerca de 5.000 volumes! O que isto significa, vós todos o sabeis: - significa esforço constante de um homem, o sacrifício de uma vida que se consumiu no bem da causa pública.

Não satisfeito com o seu imenso trabalho, para o lugar e tempo, publicou Esteves da Silva uma magnífica obra - "Ubatuba Médica", na qual estuda minuciosamente esta terra, procurando pôr em relevo suas riquezas e possibilidades econômicas.

Mas Ubatuba soube ser-lhe agradecida. Em 1901 era eleito, pela vontade de seus concidadãos, deputado estadual para a legislatura de 1901 a 1903. Uma vez deputado, lá na metrópole paulista nunca esqueceu os amigos que aqui deixara. Não se envolveu na politicalha dos corredores, sempre foi um representante leal desta cidade. Sua voz firme e sincera, toda a vez que se levantava na Câmara, era para defender causas justas, para amparar o ensino, para ajudar a lavoura explorada pela incúria governamental.

Não quis o destino que durasse muito tempo o defensor extremado de Ubatuba. A 21 de novembro de 1921 falecia Esteves da Silva, deixando nesta cidade uma grande saudade, uma imensa tristeza, como só é acontecer com as grandes almas, essas que parecem feitas para um mundo melhor do que o nosso.

O futuro auspicioso não será uma ficção - disse Esteves da Silva na sua obra "Ubatuba Médica" - não será uma ficção, uma utopia de louco sonhador; será o triunfo de idéias elevadas, a vitória de incessantes labores, o prêmio dos que tiveram coragem e perseverança. Ubatuba - continuou ele - será uma irmã, no desenvolvimento moral e material, das demais cidades paulistas; o Estado de São Paulo manterá sempre o seu lugar de honra entre os Estados Unidos do Brasil e a nação brasileira ocupará, incontestavelmente e a despeito de pequenas invejas, na ordem e progresso da América, a indisputável posição - Prima inter Pares.

Queira Deus que estas palavras de Esteves da Silva se transformem em esplêndida realidade; que sua vida de humildade e patriotismo seja um exemplo à mocidade desta terra, para que se eleve cada vez mais o nome de Ubatuba. São estes os nossos mais sinceros votos.


Foto: Arquivo UbaWeb Foto: © Mauro Roberto Santos

FONTE
Hélio Almeida em Terceiro Centenário de Ubatuba - Edições do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - 1938

ATUALIZAÇÃO
João Diogo Esteves da Silva nasceu em 1848 no Rio de Janeiro, formou-se em Medicina em 1879, após a defesa da tese sobre "Os casamentos sob o ponto de vista higiênico". Em fins de 1880 fixou residência em Ubatuba, vindo a se casar com da. Maria Benedita Gonçalves Pereira.

Publicou ainda "Aspirações do Progresso", "A Civilização e a Municipalidade", "O Materialismo e o Destino Humano", "A Mãe, a Escola e o Livro" e "Ubatuba Médica".

Foi fundador e editor-chefe do jornal Echo Ubatubense.

FONTE : www.ubaweb.com

Ubatuba, da pré-história aos dias de hoje

A história de Ubatuba é mais antiga do que se pensava até há pouco tempo. Pesquisas arqueológicas, realizadas na Ilha do Mar Virado e na Praia do Tenório, comprovaram que os primeiros habitantes de Ubatuba pertenciam a uma etnia indígena que os arqueólogos chamam de “homens pescadores e coletores do litoral”, que ocuparam a região por volta do primeiro século da Era Cristã, muito antes da chegada dos tamoios e dos tupinambás, sociedades indígenas do tronco lingüístico tupi que dominaram grande parte do litoral brasileiro por centenas de anos.
Na história colonial do nosso País, Ubatuba se destaca por um episódio que se tornou preponderante para a unidade nacional. Tal episódio – que ficou conhecido como a “A Paz de Iperoig” – contribuiu, de forma inequívoca, para evitar que o Brasil fosse dividido em três regiões distintas, com os extremos norte e sul católicos, falando a língua portuguesa e rezando pelo catecismo de Roma; o centro, calvinista e de língua francesa.
A Paz de Iperoig – que contou com a participação decisiva dos esplêndidos padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega na negociação da paz com as tribos que integravam a Confederação dos Tamoios – explica, e mais do que justifica a legenda "Conservou a Unidade da Pátria e da Fé", gravada em latim no brasão de armas de Ubatuba.
E foi sobre a tropical aldeia de Iperoig – localizada exatamente por onde passa a linha imaginária do Trópico de Capricórnio – que se estabeleceria o pequeno povoado que, em 1637, alcançaria a condição de vila, recebendo o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba. Nome esse que, por si só, demonstra a ligação íntima entre a fé católica e a origem colonial da cidade.
No quarto final do século XIX, no auge do ciclo econômico cafeeiro, Ubatuba chegou a ser o município mais rico da Capitania de São Paulo, graças a seu porto. Após esse período de extrema pujança econômica – que durou muito pouco tempo – a cidade enfrentaria quase um século de estagnação, com o grosso da população caiçara sobrevivendo da roça familiar e da pesca de subsistência.
Na Ubatuba tropical do século XXI tudo é superlativo. Dos quatro municípios que formam o Litoral Norte, Ubatuba é a maior em termos de território, em extensão da orla marítima, em número de praias e ilhas, e, verdadeira dádiva, em espaço territorial preservado. Em Ubatuba concentra-se a maior porção de áreas protegidas da região, remanescentes da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta mas que, em nossa cidade, terá sua preservação assegurada para as gerações futuras, graças à existência de Unidades de Conservação da Natureza e ao tombamento da Serra do Mar.
De Ubatuba resta não só a história, mas, sobretudo, a cultura caiçara – postada no mais alto grau de preservação em nossa região –, mostrando que o maior patrimônio da cidade é e sempre foi sua gente, que pode ser representada pelas comunidades tradicionais caiçara, quilombola, indígena e, agora, por milhares de migrantes que aqui começaram a chegar em grande quantidade a partir da década de 1980.
A Ubatuba dos dias de hoje tem como principal atributo a qualidade de vida e tornou-se um pólo especialmente atrativo para aqueles que amam a natureza, com destaque para os praticantes do surfe, para os quais a cidade tornou-se a verdadeira capital.

Nivaldo Simões

fonte: Jornal Canal Aberto -Lit. Norte Pta.