Ubatuba de Outrora.
Antigamente, Ubatuba não tinha pressa. Era uma cidade pequena, de ruas de terra batida e calçadas estreitas, onde o tempo seguia o ritmo das marés e do sol que se descia por trás da Serra do Mar.
No centro, erguiam-se os velhos casarões históricos — construções de madeira e telhas de barro, com janelas altas e varandas que pareciam observar o mar há séculos. Eram casas que guardavam histórias de gerações, de famílias que aqui criaram raízes e viveram com simplicidade.
E pairando no ar, sempre presente, estava o cheiro inconfundível da maresia: mistura de sal, algas e brisa vindo do oceano, que entrava pelas frestas, percorria as ruas e abraçava cada canto da vila.
Esse era o jeito caiçara: vida simples, trabalho com respeito à natureza, pesca artesanal, roças pequenas e muita solidariedade. Não havia luxo, mas havia abundância de paz, conversas demoradas à porta de casa e a certeza de que o essencial estava ao alcance das mãos.
Hoje a cidade cresceu, ganhou asfalto e movimento, mas quem viveu aqueles dias guarda na memória a imagem da velha Ubatuba: casarões antigos, mar cheio de vida e o aroma da maresia que nunca sai do coração.
GUINHO CAIÇARA SANTOS
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