Salga Igawa (da antiga empresa Iwashi – Indústria e Comércio Ubatuba S/A, e depois Iwashi – Irmãos Igawa S/A
A história da famosa Salga Igawa (da antiga empresa Iwashi – Indústria e Comércio Ubatuba S/A, e depois Iwashi – Irmãos Igawa S/A) confunde-se com o próprio desenvolvimento industrial e urbano de Ubatuba na segunda metade do século XX. O local, que os caiçaras mais antigos chamavam de a "salga do japonês", deu origem a uma das áreas mais tradicionais da cidade.
O Começo de Tudo (Anos 1950)
A origem da salga está ligada à figura de Suekazu Igawa. Nascido no Japão, ele imigrou para o Brasil aos cinco anos, vivendo inicialmente em fazendas de café no norte do Paraná.
Em 1958, o Sr. Igawa veio a Ubatuba pela primeira vez para explorar oportunidades. No ano seguinte, acompanhado de especialistas — incluindo técnicos formados pela Universidade de Tóquio —, ele avaliou o potencial pesqueiro da região. Reza a história local que o grupo alugou um pequeno barco e, em pouco mais de meia hora de pescaria na enseada, o barquinho ficou lotado de peixes. Encantados com a fartura do mar de Ubatuba, a decisão de investir na cidade foi imediata.
A Escolha do Local e as Dificuldades
O Sr. Igawa comprou um terreno no Canto do Acaraú (no bairro do Itaguá), em uma área que os moradores locais na época achavam curiosa para um empreendimento, chamando-a de "morada do sapo" por ser muito isolada e próxima à barra.
Naquela época (fim da década de 1950), o local era de difícil acesso. Para erguer as instalações da salga, o empresário trouxe trabalhadores de sua confiança da região de Santa Mariana (PR), que acabaram se fixando em Ubatuba. Em julho de 1959, a fábrica foi oficialmente implantada e o Sr. Igawa começou a anunciar a compra de peixes.
O Auge da Fábrica (Anos 1970)
As sardinhas eram descarregadas no cais do porto (o "Caisão") e transportadas por caminhões até a salga, onde eram processadas e salgadas.
Entre 1977 e 1980, a Salga Igawa viveu seu auge comercial. A empresa operava com duas traineiras próprias, chamadas Atalaia e Aladim, e empregava cerca de 50 funcionários locais, sendo a grande maioria mulheres caiçaras.
Existiam muitos desafios logísticos curiosos na época. O filho do fundador, Nelson Igawa, relembrava em relatos históricos que muitos funcionários locais não possuíam sequer certidão de nascimento. A empresa precisava organizar mutirões, colocando os funcionários em caminhões para levá-los ao cartório da cidade com motoristas de táxi servindo de testemunhas para que pudessem ser devidamente registrados.
O Legado Atual
A atividade industrial da salga de peixes da família Igawa foi desativada com o passar das décadas e as transformações econômicas e turísticas de Ubatuba. No entanto, a estrutura e as terras da família deixaram uma marca permanente na geografia urbana do Itaguá.
A antiga área da fábrica e os terrenos adjacentes deram lugar, entre outros empreendimentos, a um conhecido camping administrado pela família e a loteamentos. Na memória cultural dos moradores de Ubatuba, o Canto do Acaraú e aquela ponta do Itaguá ainda guardam forte associação com a história de pioneirismo da família Igawa.
FONTE : GEMINI.COM

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