Ubatuba é famosa por suas praias e pela história oficial da "Paz de Iperoig", mas há uma camada subterrânea — uma mistura de memória oral, lendas caiçaras e registros esquecidos — que raramente aparece nos livros escolares..
Se pararmos de olhar apenas para as datas oficiais, encontramos uma Ubatuba feita de silêncios. Aqui está um pouco do que "ninguém escreveu
O Porto que o Tempo Engoliu
Antes de ser um destino turístico, Ubatuba quase foi o maior porto do Brasil. No século XIX, o Porto de Ubatuba movimentava mais café que o de Santos. O que quase ninguém conta é o sentimento de "cidade fantasma" que se abateu sobre o lugar quando a ferrovia foi para Santos e o Porto de Ubatuba faliu da noite para o dia.
Diz a tradição oral que famílias inteiras de barões do café simplesmente abandonaram suas mansões com tudo dentro, deixando para trás um rastro de "casarões mal-assombrados" que moldaram o imaginário místico da cidade por décadas.
A "República" da Ilha Anchieta
Todos sabem que a Ilha Anchieta foi um presídio. Mas pouco se escreve sobre a micro-sociedade que existia lá dentro antes da rebelião de 1952.
Havia um sistema de trocas e até "leis" próprias entre os detentos que eram mais respeitadas que o código penal brasileiro.
Dizem os antigos que, em noites de calmaria, era possível ouvir o som das violas dos presos ecoando até o continente, uma trilha sonora melancólica que os moradores da Enseada aprendiam a identificar como um termômetro da tensão na ilha.
Os "Caminhos Invisíveis" dos Tupinambás
A história foca em Anchieta e Nóbrega, mas pouco se fala sobre a geografia espiritual dos Tupinambás.
Para os nativos, Ubatuba (ou Ubatyba) não era apenas um lugar de moradia, mas um ponto de convergência de trilhas que cruzavam a Serra do Mar, muitas das quais hoje estão cobertas pela mata fechada.
Diz a lenda local que alguns desses caminhos "se fecham" para quem entra na mata com más intenções, um tipo de proteção ancestral que os guias mais velhos ainda respeitam com silêncio e oferendas discretas.
O Mistério do "Tesouro" de Massaguaçu
Embora Massaguaçu tecnicamente faça fronteira com Caraguá, as histórias de naufrágios e correntes marítimas em Ubatuba alimentam há séculos o mito do ouro enterrado.
Diferente das histórias de piratas do Caribe, o "tesouro" de Ubatuba é descrito pelos caiçaras como algo amaldiçoado: moedas que aparecem na areia após grandes ressacas, mas que trazem má sorte para quem as encontra sem devolver algo à terra.
A verdadeira história de Ubatuba não está nos monumentos, mas nas varandas das casas de madeira que ainda restam, onde o café é coado no pano e o tempo corre de acordo com a maré, não com o relógio.
Lobo Branco
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