Jornalista mergulha em sebo e traz à tona crônica de Drummond sobre o fim do mundo em Ubatuba




João Paulo Sardinha no sebo da descoberta (Créditos: Arquivo pessoal)

De férias no litoral, João Paulo Sardinha escreve sobre encontro com antigo texto do poeta brasileiro que brinca com previsão apocalíptica


Quem visita sebo já sabe: a qualquer momento, pode-se encontrar uma raridade. Seja um texto inédito, uma edição esgotada nas livrarias ou uma relíquia autografada pelo autor.

Nesta semana, em meio a estantes abarrotadas e caixas de volumes recém-chegados, encontrei um texto raro de Carlos Drummond de Andrade, o mais influente poeta brasileiro no último século.

Caiu em minhas mãos a crônica “O fim do mundo em Ubatuba”, publicada há cerca de 80 anos, no jornal Folha do Norte, do Pará.

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Drummond narra o transtorno causado entre os moradores de Ubatuba após um estudioso inglês indicar que o fim do mundo se daria em 5 de outubro de 1849, às 11h, no município, “pequeno porto paulista à margem do Atlântico”. Nesta data, “o mar haveria de crescer extraordinariamente”.

“Amanheceu o fatal 5 de outubro triste, nublado, as casas quase todas fechadas, alguns transeuntes — raros — pelas ruas. Deu 11 horas, deu meio-dia; e não se ouvia o tremendo clangor das sete trombetas, nem os elementos começaram a se desorganizar; pelo contrário, um sol vivo, alegre e rutilante, um mar manso, uma brisa fresca de leste, uma pífia maré, menor que a comum, um céu sem nuvens, as laranjeiras e cafeeiros em flor”, escreveu o poeta.

O escritor chegou, ao longo da vida, a escrever outros textos sobre fim do mundo, mas esta homenagem específica a Ubatuba permanecia escondida, fora da internet. Restrita aos corredores do sebo.


Sobre o autor: João Paulo Sardinha, 39 anos, é assessor de comunicação da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR). Durante seis anos, foi chefe de Imprensa e Divulgação da Prefeitura de São José dos Campos. Acumula passagens pelos jornais Lance!, Valeparaibano e OVALE. Atualmente, realiza trabalho de pesquisa para a biografia de Ciccillo Matarazzo, fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da Bienal Internacional de Arte, e também prefeito de Ubatuba entre 1964 e 1969.


FONTE  ORINAL DA MATÉRIA :   https://spriomais.com.br/2026/01/23/jornalista-mergulha-em-sebo-e-traz-a-tona-cronica-de-drummond-sobre-o-fim-do-mundo-em-ubatuba/

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