Todas as cidades têm um mercado municipal e se orgulham dele, veja os mercadões de São Paulo, Cunha, São Luiz do Paraitinga, Taubaté, São José dos Campos e Paraibana. Ubatuba também tinha, e se chamava “As casinhas”, apesar de muito rudimentar, eu me divertia muito vendo os tropeiros com aqueles trajes esquisitos para nós, no local onde hoje está instalada a Casas Bahia.
O prefeito Matarazzo tinha preparado para a cidade, em especial para os pescadores da ilhota, O GRANDE MERCADO MUNICIPAL, de comércio variado, com predominância do pescado e totalmente coberto, seria instalado na ilha dos pescadores. Sendo que cada pescador teria direto a um box com ancoradouro. Mas, nenhuma família morando lá, ao contrário do que pretende o atual prefeito. (Clique em “Construindo o passado II - 23”.) Sr. Ronaldo Dias, este sonho acabou de se tornar um pesadelo, conforme foi publicado no Jornal A Cidade, em 04/02/2012, “Ilha dos pescadores tem projeto de regularização aprovado em reunião”.
A foto abaixo mostra mais uma destruição definitiva da malha viária de Ubatuba (Projeto Matarazzo). Trata-se da ligação da Rua Guaicurus / Rua Rui Barbosa, uma via expressa até a Rua Cap. Felipe, no Itaguá. Saiba mais em “Construindo o passado - 1964-2004 - 5/8”.
Para uma cidade que já defendeu o título de: “Ubatuba, a pérola do litoral norte” e, no governo Matarazzo, acumulou mais um título “Ubatuba, uma pérola rara perdida no Atlântico”, o taubateano Dr. Lycurgo Barbosa Querido, o mais apaixonado pela nossa cidade, disse: “Ubatuba, Acapulco do Brasil”, hoje, a duras penas, se arrasta pelo jundu tentando manter o título de “A Capital do Surfe”. O campeonato de surfe não tem aquele grandioso marketing que este evento esportivo merece, sem falar na cultura caiçara que, desde a fundação da Fundart (Fundação de Arte Cultura de Ubatuba), há 24 anos, os seus dirigentes não tiveram competência de resgatar a cultura e o cotidiano dos ubatubanos. Tudo se perdeu.
Mas, isso só aconteceu em Ubatuba. O que era para “proteger” massacrou o povo caiçara, desencorajou, inibiu e enxotou os empresários do setor hoteleiro, náutico pesqueiro e turístico de Ubatuba, que é a nossa única vocação, mas agora graças aos migrantes invasores, nós temos uma nova vocação, que vai de vento em popa, a “Indústria dos carrinhos de lanche”.
Ubatuba tem 100 praias, 100 km de costa e não tem um megaempreendimento.
Paraty, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, Bertioga, Guarujá e Santos, seguem na mesma balada, só Ubatuba ficou no meio do matagal.
Outro dia, a rádio FM-95.5, de São Sebastião, noticiou que um morador de Ubatuba reclamava sobre uma invasão, formação de uma favela às margens do Rio Grande, na entrada do condomínio denominado Fazenda Ressaca, e os caras continuam lá no bem bom. Quem recolhe o lixo doméstico desse pessoal? O Rio Grande?
Ubatuba tornou-se uma cidade sem oposição, calada. Até um loteamento, no Ipiranguinha, fizeram para esses migrantes, com 77 lotes de 6,25 m de frente x 20,00 m de fundos, perfazendo uma área de 125 m² e, pela ironia do destino, a denominação da via pública desse loteamento chama-se: Rua Bauxita e Travessa Bauxita
Sr. Ronaldo, no dia 05-06-2012 foi aprovada a lei de regularização de áreas invadidas, com isso o descarrilamento continua de vento em popa. Agora o senhor tem os protagonistas, coadjuvantes, figurantes e até ao final do ano, a favela das Sesmarias vai emendar com o Perequê-Mirim e varar na Praia Grande, se é que já não está acontecendo... até se formar um favelão só.
O que eu assisti integralmente, o senhor talvez tenha assistido 50% desses 43 anos, ou 16 prefeitos pós Matarazzo. Foi mais que uma destruição, foi um “desmanche” da cidade.
Hoje Ubatuba só gera votos, é o que interessa para os maus políticos se elegerem e reelegerem, enriquecerem e se eternizarem no poder em forma de rodízio. Quem vai mudar isso? Será que Ubatuba vai ter que seguir a mesma trilha de Caraguatatuba e São Luiz do Paraitinga? Sofrer uma catástrofe para depois ser reconstruída com o mesmo sucesso que estas duas cidades tiveram?
Até a próxima.
Nota do Editor: Francisco Velloso Neto, é nativo de Ubatuba. E, seus ancestrais datam desde a fundação da cidade. Publicado no Almanak da Provícia de São Paulo para o ano de 1873. Envie e-mail para thecaliforniakid61@hotmail.com.
FONTE:
http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=40428
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