segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ESPECIAL DO LIVRO " UBATUBA, ESPAÇO, MEMORIA E CULTURA"...PARTE 86


Nos primeiros anos deste milênio Ubatuba sofreu algumas alterações, de ordem naturais, com as grandes chuvas e enchentes, ou com aquelas realizadas pelo próprio homem., como as invasões cada vez maiores em encostas de morros, casas construídas irregularmente, levando sujeira e poluição aos rios e até as nascentes que abastecem as caixas de água da Sabesp. Esses problemas têm sido enfrentados pelas últimas administrações públicas, por prefeitos que tentam resolver de forma prática, mas que encontram grandes resistências.


  1. UBATUBA NA VOZ DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

A construção de uma cultura está diretamente relacionada com o conceito de comunicação, por isso, nos referiremos neste item, ao modo como Ubatuba foi expressando, principalmente nos meios: jornal e rádio, o seu desenvolvimento cultural. Também falaremos da sua inserção na mídia nacional que sempre viu neste espaço natural, uma forma de apresentar vestígios remanescentes da cultura brasileira.



Na cultura, o ser humano produz, armazena e difunde por meio da comunicação, seja esta midiática, organizacional ou interpessoal. Formatam-se os gostos, valores, idéias, os modos de vida, as tradições, crenças e a multiplicidade de vivências, em função da cultura na qual se está inserido, esta última é determinada pelas modalidades e meios de comunicação que a sustentam. Portanto, a cultura é o conjunto dos modos de fazer e proceder, isto é, dos rituais que definem a ação, em função das diversas situações, em consonância com as exigências colocadas pelas diferentes estratégias nas situações sociais concretas (Crespi, 1997:80)[1].

As práticas do cotidiano, individuais e coletivos são expressões comunicativas da cultura. Tudo isto se reflete no consumo dos produtos culturais como jornais, telejornais, filmes, telenovelas, livros, etc. Hoje em dia a mídia aparece à nossa realidade como uma espécie de “lubrificante da cultura”, afirmação sustentada por Jorge Pedro Sousa no livro Elementos de teoria e pesquisa da comunicação e da mídia (2004), que não deve ser confundida com a cultura em si. No nosso caso, estamos trabalhando com o conceito de cultura autóctone, fundada no espaço e na memória de Ubatuba. Outra pontuação pertinente a este respeito, a modo de esclarecimento para nossos leitores, é pensar que quando falamos de mídia, referimo-nos aos meios de comunicação social, seguindo a seguinte classificação: a mídia impressa que inclui jornais, revistas e livros de um modo geral; e, a mídia audiovisual que inclui o rádio, a televisão e o cinema. Poderíamos mencionar entre as mídias interativas a Internet, mas não abordaremos este meio, ao não ser, em termos referenciais de informação.

A idéia é visualizar a mídia como um co-relato da cultura local que nos interessa evidenciar. Para tanto nos referiremos neste item à mídia nacional e ao modo como esta apresenta a cidade criando uma imagem que circula por todo o país e mesmo no âmbito internacional das redes. A mídia regional será o motivo principal desta parte do livro, por ser gerada em torno do próprio município, tentaremos de alguma forma traçar um percurso histórico baseado na memória dos usuários.

A cultura no Brasil é uma mescla de culturas que interagem sobre outras e cujas fronteiras, no contexto do fenômeno de globalização se torna crescentemente difusa. No último item deste capítulo final, nos referiremos a um outro fenômeno que ilustra com propriedade o que acontece em Ubatuba em termos de cultura: “o multiculturalismo”.

A mídia exerce uma importante influência sobre a configuração e a produção cultural, em constante transformação, essa influência se dá concretamente nos efeitos produzidos na grande maioria da população. Os efeitos são da ordem do afetivo, cognitivo e comportamental, fundamentalmente sobre os modos de vida, a organização social, os gostos, a língua, o relacionamento entre as pessoas, consigo mesmas, com a família e com o meio ambiente no qual interatuam. Também a influência se estende à produção simbólica do cotidiano: nos modos de vestir, falar, fotografar, filmar, a vivência espiritual, o cozinhar e o comer. Há de se considerar em tudo isto, o caráter mercantilista da produção e do consumo de grande parte destes produtos culturais, no qual impera a indústria audiovisual que revela a televisão como a mídia mais poderosa em Ubatuba.

Os matizes culturais e o confronto entre as culturas que a mídia é capaz de suscitar, trazem à tona a questão da identidade pessoal, coletiva, nacional e étnica. Neste sentido, desde o início desta obra viemos ressaltando aqueles aspectos mais substanciais da cultura ubatubense, que se delinearam no decorrer da história de seus habitantes e dos valores pelos quais estes lutaram em favor da tradição e dos costumes que hoje estão adquirindo uma nova fisionomia.



[1] Lucia Santaella ao definir o que é cultura, usa as formações sociais para delinear o lugar ocupado pela cultura na sociedade. Afirma que tais formações, apresentam três territórios interrrelacionados: o território econômico, o político e o cultural. A palavra cultura teve sua origem no mundo latino e referia-se ao cultivo do solo, mas só se tornou corrente na Europa da segunda metade do século XVIII. Por trás de toda prática, criação, difusão ou apropriação cultural, há sempre, explicita ou implicitamente, alguma concepção de cultura e, é a partir deste pressuposto que definimos nosso ponto de vista (Santaella, 2002:47).



NOVA ATUALIZAÇÃO DIA : 20/11/2012....A PARTIR DA PAGINA  292

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