BANCO DA PRAÇA - Parte 2






 Quando avisto um espaço religioso, inclusive aqueles mais perseguidos pela ignorância/intolerância de tanta gente, reflito sobre o significado do mundo superior, do Reino Divino. Para Jesus, figura de proa da religiosidade caiçara, o Reino se compara a um imenso banquete. Portanto, ele é sinônimo de justiça plena porque todo mundo deveria estar ao redor da mesa.

   É em torno de uma mesa que se entabulam conversas e relações são aprofundadas. Sinal do Reino é famintos serem saciados. Afinal, nessa grande mesa, nesse banquete, haverá partilha plena entre quem tem e quem vive na necessidade. Cada liderança religiosa, de qualquer credo que almeja um mundo melhor, deveria ser depositário dessa tarefa, dessa partilha. Em uma passagem do Novo Testamento (Atos 4.36-37) está grafado a respeito de um cidadão: "levita originário de Chipre, possuía um campo; ele o vendeu e trouxe o dinheiro para depô-lo aos pés dos apóstolos". A estes coube papel de líderes naquela ocasião, de serem orientadores da partilha.






      Quando podemos comer e beber juntos, reforçamos nossas relações, decidimos os melhores caminhos para a humanidade. Não é por acaso que os que têm fome são chamados de "bem aventurados". Quando isto não está no nosso horizonte, alguma coisa está muito errada; de nada adianta frequentar os cultos, seguir os sacramentos, fazer sacrifícios etc.

      Na história, sobretudo na atualidade, como estão se comportando aqueles que se dizem "escolhidos de Deus", “sacerdotes e sacerdotisas das divindades”, "fiéis seguidores dos mandamentos"? Preferem a paz ou idolatram os que promovem as guerras? Repartem o pão ou chutam os mais necessitados? No fundo, eu me esforço por acreditar numa espiritualidade que busca o "ter tudo em comum segundo as necessidades de cada um". Deveriam estar neste rumo, remar nesta direção, as exigências das Boas Novas anunciadas pelas religiões.

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