quarta-feira, 20 de junho de 2012

ESPECIAL " UBATUBA, MEMORIA, ESPAÇO E CULTURA ' - PARTE 75



Foram os tenenentes ,as primeiras autoridades a administra a cidade de Ubatuba -SP, os primeiros edils  ubatubenses....






E foi a partir do ano de 1865, que tiveram inicio as várias sucessões das composições da edilidade ubatubense . Foram momentos e decisões vividas de grandes acontecimentos que marcaram ao longo do tempo o destino e o futuro da cidade de Ubatuba. Vale destacar aqui, figuras importantes desta primeira autoridade ubatubense. Foram eles: o Tenente Joaquim José Madeira, Manoel Joaquim da Graça, Tenente Coronel Francisco Gonçalves Pereira, Francisco Ferreira Alves, Antonio Nunes Ferreira, Capitão José Joaquim Madeira, Alferes Manoel de Oliveira Albuquerque Júnior e Modesto Antonio Barbosa, ocupando pela primeira vez as cadeiras do Legislativo Municipal de Ubatuba.









A Câmara Municipal conserva no seu prédio traços de uma Ubatuba antiga, estilo e características de construção portuguesa típica do período de maior esplendor da Coroa em terras brasileiras. Sua fachada é do século XIX e nos vários usos que seu prédio já teve, parte de seu edifício foi ocupado em 1872 pelo Fórum e, em 1908 pela Prefeitura Municipal, sendo em 1985, tombado como patrimônio histórico municipal. Funcionou neste lugar, por vários anos, o museu ubatubense que hoje ocupa o antigo prédio da Cadeia Velha, outro patrimônio cultural da cidade.
Figuras ilustres da história da cidade como Washington de Oliveira, “seu Filhinho”, fizeram parte desta casa legislativa, Francisco Pires Nobre, o Dr. João Diogo Esteves da Silva, Antonio de Sousa do Amaral Viana, Ernesto Gomes de Oliveira, Tertolino José dos Santos, Luiz Nobre Vieira, Benedito Sebastião Pires Nobre, alguns deles por mais de uma vez. Estes nomes foram alguns dos vários vereadores, que passaram pelas primeiras décadas da divisão administrativa de Ubatuba.
Desde o Brasil Império, passando pela Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, até os dias atuais, ocorreram várias mudanças nas políticas brasileiras da qual a Câmara Municipal de Ubatuba foi cenário, dissoluções ocorridas em 1890 e em 1930, fruto de mazelas partidárias, oposições entre o Partido Liberal e o Partido Conservador, quedas do Governo e do Regime, ali dois grupos se digladiaram, nada muito diferente do que acontece atualmente. Hoje em dia, são muitos mais grupos dos vários partidos que disputam o poder da voz na Câmara. Alguns dos presidentes da Câmara Municipal nas décadas após sua fundação foram: na década de 40, Domingos Chieus Filho; na de 50, Milton de Oliveira, Leovegildo Dias Vieira; na de 60, Washington de Oliveira, Fiovo Frediani; na de 70, Basílio de Morais Cavalheiro Filho, Ernely Fragoso; na de 80, Cícero José de Jesus Assunção, Ademir Peres Tomé; de 90, Eduardo de Souza César, Gerson de Oliveira; de 2000, Andrade Henrique dos Santos, Jairo dos Santos e Charles Medeiros, entre outros.
Entre os anos de 1964 e 1969, aparece um nome de destaque no cenário brasileiro, principalmente no cenário paulista. Este personagem nunca havia participado da vida política, mas viria a ser uma figura de relevância na história de Ubatuba: Francisco Matarazzo Sobrinho, mais conhecido como “Cicillo” Matarazzo, empresário das grandes Indústrias Matarazzo. Escolhido pelas forças políticas da época, elegeu-se pelo Partido Social Progressista, em uma tentativa de tirar a esquecida Ubatuba da estagnação em que se encontrava. Seu período de governo ficou conhecido como “40 anos em 4”, fez muito pela cidade e para que esta se tornasse ainda mais conhecida no Brasil e até no exterior. Por ser um homem muito viajado, sabia do potencial da futura economia mundial: o turismo. Sendo assim, tratou logo de colocar Ubatuba no caminho do desenvolvimento deste potencial, sabendo que a cidade com suas belezas naturais e seus atrativos turísticos seria logo alavanca do sucesso e do progresso de destino turístico.
A função de Francisco Matarazzo seria oferecer as condições necessárias para este desenvolvimento, descentralizando as decisões. Conseguiu o primeiro asfalto da estrada que liga Ubatuba a São Luiz do Paraitinga; abriu a estrada Rio Escuro ao Monte Valério; ampliou o aeroporto Gastão Madeira; fez a primeira rede de esgoto no centro da cidade; construiu o belo coreto da Praça da Matriz; tratou logo de dar fim aos “borrachudos” trazendo os carros de fumacê para combatê-los . Ainda, pensando na população ubatubense, modernizou a burocracia para melhor atender aos cidadãos, ganhando a Prefeitura uma nova estrutura, sendo a primeira sede própria - hoje, atual Biblioteca Municipal; o código tributário e de obras foram implantados; também regularizou a lei do funcionalismo público; deu incentivos à educação municipal; e hoje o conhecido estádio municipal que leva o seu nome, no Perequê Açu, é um exemplo de sua obra.
Cicillo Matarazzo era apaixonado por Ubatuba e aqui encontrou o sossego que só os ares e belezas da cidade poderiam lhe proporcionar. Em um trecho da carta enviada em 9 de junho de 1964 ao então vereador, Washington de Oliveira, o “seu Filhinho”, a quem considerava seu grande amigo, , Francisco Matarazzo Sobrinho afirma:
“...Como o amigo sabe, aceitei o cargo de Prefeito Municipal apenas por amor a Ubatuba, terra onde pretendo, se Deus quiser, ver passar a minha velhice...”. Por esta razão, Francisco Matarazzo passava seus dias em Ubatuba, na sua residência no Morro da Prainha, hoje chamada de praia do Matarazzo. Esta celebridade marcou um momento importante da história cívica de Ubatuba, chegando a fazer parte dos argumentos de uma minissérie televisiva de época que abordaremos no seguinte item deste capítulo.




CONTINUA.............Confira no dia  21 de junho, a Parte 76 -  




Texto do livro  UBATUBA, ESPAÇO, MEMÓRIA E CULTURA , editado em 2005, transcrito aqui c/ autorização de um dos autores do Livro ...

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