domingo, 15 de janeiro de 2012

GRANDES UBATUBENSES.... Tio maneco e sua rabeca..


1978- Eis o tio Maneco com a sua rabeca! (Arquivo Kilza Setti)
                No começo do século passado, na praia da Fortaleza, nasceu Manoel Armiro, o tio Maneco, cujos irmão, nhonhô Armiro, assim que o pai faleceu, foi trabalhar por um período em Santos para ajudar a mãe na tarefa de criar os  irmãos mais novos. O irmão do meio era Cláudio, depois casado com a tia Martinha.   Eles nunca deixaram a praia natal, exceto em breves passagens como mão de obra temporária nos bananais da Baixada Santista. Portanto, todo esse pessoal sempre viveu da roça e da pesca.
                De acordo com a vovó Eugênia, o tio Maneco "desde criança era atraído para a música". Essa paixão motivou a criar, a partir de uma lata trazida pelo mar, uma “viola” como primeiro instrumento. Ao perceberem que o menino tinha talento, tirava acordes agradáveis daquele rudimentar instrumento musical, deram-lhe uma viola de verdade. Mais tarde, já tocando regularmente em festinhas, em bate-pés, se interessou pela Folia do Divino. Comprou a sua primeira rabeca.
                A devoção, somada ao exibicionismo do talento e à graça de namorador, fez com que o jovem Maneco Armiro, agora munido de uma rabeca construída pelo Vitor, um caiçara da praia da Barra Seca, saísse nas andanças como folião do Divino Espírito Santo. Isso durava meses a cada ano. Era preciso uma mulher muito especial para aceitá-lo como marido. Quem cumpriu este papel com muito êxito foi a tia Aninha. Após o casamento,eles assumiram o comando da capela de São João Batista, no jundu da praia da Fortaleza. Nessa função se devotaram até o final de suas vidas. Ambos viveram noventa e cinco anos. Morreram quase ao mesmo tempo que o século XX.
                Como exímio rabequista, tio Maneco sempre foi muito requisitado. Nunca deixou de "correr folia". Adorava festas e estava sempre fazendo galanteios às mulheres bonitas. Dele temos boas lembranças, principalmente pelo seu estado constante de correria (“homem ativo”) e de seu olhar brilhante, sempre interessado em tudo à sua volta.

Um comentário:

claudio francisco dos santos Santos disse...
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