terça-feira, 12 de janeiro de 2010

JOSE DE ANCHIETA


Padre José de Anchieta
José de Anchieta marcou a história, a educação e a cultura do nosso povo, com o qual partilhou sua vida e seus talentos. Incansável, criativo, piedoso, ousado, profético, polivalente, benfeitor.




Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em San Cristobal de Laguna, Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha. Em 1548 iniciou seus estudos em Coimbra, célebre centro intelectual de Portugal, onde ingressou na Companhia de Jesus (1551), recém-fundada por Santo Inácio de Loyola, sonhando ser missionário. Nessa época Anchieta tinha apenas 14 anos.



Em 8 de maio de 1553 o jovem jesuíta partiu para o Brasil na 3ª Expedição de Missionários Jesuítas, chefiada pelo padre Luiz de Grã. Chegou em 13 de julho do mesmo ano em Salvador, na Bahia, onde permaneceu alguns meses. Em outubro partiu para o sul do Brasil, a caminho da Capitania de São Vicente. Visitou pela primeira vez a aldeia de Reritiba, hoje cidade de Anchieta, no Espírito Santo. Em 25 de janeiro de 1554, ainda noviço jesuíta, esteve presente na fundação da Vila de Piratininga, berço da futura metrópole de São Paulo, no atual Pátio do Colégio.





José de Anchieta

Em 5 de maio de 1563, Anchieta chegou à praia de Iperoig em Ubatuba, em companhia do Padre Manoel da Nóbrega, a fim de negociar uma trégua com os índios tupinambás. Regressando Padre Manoel da Nóbrega a São Vicente, Anchieta permaneceu refém. Aqui iniciou seu famoso Poema à Virgem, com 5.732 versos latinos, alguns dos quais tracejados nas areias da praia de Iperoig. Em setembro do mesmo ano voltou a Bertioga em companhia do índio Cunhambebe. A Paz de Iperoig foi estabelecida em 14 de setembro de 1563.



Dois anos mais tarde, participou da fundação da cidade do Rio de Janeiro, ao lado de Estácio de Sá, e no mesmo ano foi ordenado sacerdote em Salvador. Por ocasião dessa viagem, novamente Anchieta pisou em solo capixaba. Em 1567 retornou ao Rio de Janeiro e no mesmo ano seguiu para a Capitania de São Vicente, onde foi nomeado Superior local dos padres jesuítas. No ano de 1573, visitou o Santuário da Penha no Espírito Santo, a fim de render graças por ter sido salvo de um naufrágio. Em 1577 recebeu a nomeação de Reitor do Colégio, na Bahia, mas deixou o cargo no mesmo ano para assumir as funções de Provincial dos Jesuítas do Brasil. Tinha 43 anos de idade. Daí em diante, permaneceu praticamente o resto de sua vida no Espírito Santo, realizando ainda algumas viagens para diversos pontos do país, promovendo a fundação de comunidades jesuítas. Em 1579 recebeu a imagem de Nossa Senhora Assunção em Reritiba, com a apresentação do auto "Dia da Assunção", de sua autoria. Em 1585, fundou a aldeia de Guaraparim (ES). Para a inauguração escreveu o mais expressivo auto tupi, "Na Aldeia de Guaraparim".



No dia 9 de junho de 1597, aos 63 anos, Anchieta faleceu em Reritiba - atual cidade Anchieta (ES) -, após 44 anos de incansável trabalho apostólico-pastoral realizado no Brasil. Catequista onipresente, poeta, tupinólogo e professor. Músico, enfermeiro, construtor de capelas, conselheiro espiritual.



Em 1611 os ossos de Anchieta foram translados em parte para o Colégio da Bahia e alguns para Roma. Em 1617, a pedido dos Jesuítas do Brasil, foram iniciados os processos de Beatificação e Canonização do Padre José de Anchieta. Em 1773, foram suspensos os processos.



Somente em 22 de junho de 1980, o Papa João Paulo II beatificou o Padre José de Anchieta, chamado "Apóstolo do Brasil".



Deixou, entre suas obras: "Arte da Gramática da Língua mais usada no Brasil", "Vida dos Religiosos da Companhia dos Missionários no Brasil", "Dissertação sobre a História Natural do Brasil" etc.



O padre é reconhecido ainda como o patrono do Professorado Brasileiro e iniciador de nossas estradas, por ter instituído o Caminho do Mar, que ligava Santos a São Paulo. Também é conhecido como o pai do Teatro, Música, Poesia, Literatura e Artes Plásticas brasileiras, pois costumava usa-las como instrumento da catequese dos índios e na educação de crianças.



FONTE

Revista Serviço de Guarapari e folheto dos Jesuítas de Anchieta

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