quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A CHEGADA DA LUZ ELÉTRICA EM UBATUBA...

A Iluminação pública, hoje é um dos serviços básicos prestados à população de praticamente todo o município de Ubatuba, levando a lugares muito distantes os benefícios da eletricidade: luminárias em ruas, atendimento domiciliar. A Elektro está encarregada de prestar serviços de energia elétrica em toda a região.

Na memória de uns poucos ainda brilham a luz dos lampiões e velas que clareavam as noites escuras da cidade litorânea. Foi exatamente em 1881, no dia de comemoração da independência do Brasil da colonização portuguesa que Ubatuba também comemorava, a inauguração do serviço de iluminação pública para o município. Este serviço era o mais arcaico possível, com pouco mais de doze lampiões a querosene espalhados por algumas esquinas do perímetro urbano da cidade.

O primeiro passo para a tentativa de trazer a luz elétrica para as ruas e residências de Ubatuba, foi graças a aprovação da Lei na Câmara Municipal, em 10 de novembro de 1925, autorizando a exploração e o fornecimento de energia elétrica. A Prefeitura Municipal local logo outorgou a Antonio Francisco Pereira Junior e Jorge Correia Porto, através de um contrato, a autorização de exploração deste serviço. Três anos mais tarde, a própria Prefeitura, por meio de Lei, caducou este acordo, pois o mesmo provedor, Pereira Júnior, tentava transferir tal concessão à outra companhia que lhe proporcionaria uma melhor compensação financeira. Através de uma nova Lei, aprovada em 5 de junho do mesmo ano, Gustavo Stach obteve esse direito por 30 anos, além da exploração dos serviços de força, luz e tração elétrica, o serviço telefônico na cidade de Ubatuba.

Em 6 de janeiro de 1929, Gustavo Stach, alemão ousado e persistente, mesmo sem ter total apoio ou colaboração, inaugurou o serviço de iluminação. Foi um grande acontecimento para a cidade, muito aguardado por toda a população. Estiveram presentes, autoridades ilustres como o Dr. Washington Luis Pereira de Souza, o Presidente da República dos Estados do Brasil, o Sr. Julio Prestes de Albuquerque, o Presidente do Estado do Estado de São Paulo, o Sr. Manoel Bernardo de Amorim, o Prefeito Municipal de Ubatuba, os senhores vereadores municipais, entre outras autoridades.

É interessante ressaltar que toda a pompa e o motivo de tanta alegria, tanto dos habitantes como de todos aqueles que estiveram presentes no acontecimento, foi porque Ubatuba inaugurava um sistema elétrico de iluminação que não ultrapassava trinta e seis pequenas lâmpadas de 60 watts de potência. Mas para a época, esta tão esperada inauguração era um orgulho para uma cidade, que apenas clareava suas escuras noites com alguns poucos lampiões a base de querosene. Como diz Washington de Oliveira: “... a primeira das ambiciosas alavancas necessárias à propulsão do emperrado progresso local”

Infelizmente, mesmo com a boa vontade e dedicação de Gustavo Stach, a alegria de todos os munícipes e autoridades durou pouco. Fatores como, o erro de cálculo do potencial energético, do volume de água da cachoeira, que servia como fonte natural de energia, foi insuficiente para manter as lâmpadas de 60 watts acesas. O alemão fracassou com sua empresa, transferindo o material usado em sua obra para firma financiadora, Sociedade Técnica Bremensis S. A. de São Paulo, que continuou mantendo o deficitário serviço de iluminação de Ubatuba.

Logo, o domínio e concessão, passaram para a Companhia Taubaté Industrial - CTI, a pedido de Félix Guisard; modernizando o sistema de energia, das instalações na cidade. No 18 de Julho de 1948, o Governador Ademar de Barros, inaugurou as novas instalações e o eficiente serviço público de iluminação. Novamente, mais um dia de motivo de muita ostentação, alegria e pompa da população local durante um dia inteiro de solenidades. Neste mesmo dia, além da tão importante inauguração, outra solenidade também foi realizada. Duas ruas de Ubatuba eternizavam dois nomes importantes de sua história, tendo nas suas placas os nomes de Félix Guisard e do Professor Thomaz Galhardo[1]. No dia seguinte, foi encerrada tamanha comemoração com uma missa campal celebrada pelo Bispo Diocesano Dom Idílio José Soares, sendo o prefeito da época o Dr. José Alberto dos Santos. Com o advento do tempo e do progresso, Ubatuba crescia e se modernizava, e assim, o serviço de iluminação elétrica da CTI já não era mais um problema. Passou então, a antiga CESP – Centrais Elétricas de São Paulo S. A., anterior a atual empresa privada Elektro[2].


[1] Félix Guisard (1862-1942) nasceu na cidade mineira de Teófilo Ottoni, radicou-se em Taubaté, onde foi um dos pioneiros da indústria no Vale do Paraíba , por outro lado Thomaz Paulo do Bom Sucesso Galhardo foi um grande educador e comendador, publicou vários livros didáticos, fez parte da Secretaria da Instrução Pública.

[2] Vale ressaltar que neste momento da mudança da CTI para CESP nos serviços de fornecimento de energia elétrica, Ubatuba só passou a fazer parte da faixa protegida da CESP, pois, pelo fato da Petrobras necessitar de energia elétrica ao Terminal Marítimo de São Sebastião, beneficiando também Paraibuna, Caraguatatuba, cidades igualmente carentes que estavam no caminho dos cabos elétricos e, Ubatuba, estar distante das linhas da CESP, graças ao saudoso Prefeito de Ubatuba, na época, o Sr. Francisco Matarazzo Sobrinho, com seu prestígio proporcionou e conseguiu mais 50 quilômetros de cabos chegando até Ubatuba.

FONTE : Livro "Ubatuba, espaço,memória e cultura"

Um comentário:

Váh disse...
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