quarta-feira, 12 de março de 2008

Livro "Ubatuba , espaço , memória e cultura " - 16 ª parte




3. RUÍNAS DA LAGOINHA

Localização

As Ruínas da Lagoinha estão localizadas ao sul, a 23,9 km do Centro de Ubatuba e a 1 km de estrada de terra à direita do bairro da Lagoinha, próximo ao km 72, da rodovia Rio – Santos, mais especificamente na antiga Fazenda Bom Retiro.





Horário de funcionamento

Como se trata de um atrativo a céu aberto, integrando-se com a natureza local, as Ruínas da Lagoinha estão abertas para visitação daqueles interessados neste tipo de atrativo histórico cultural.

As Ruínas da Lagoinha guardam uma história rica em acontecimentos, de prosperidade, desenvolvimento, riquezas, sofrimento, e acima de tudo, de muita sensibilidade a respeito da luta de interesses. Muitos personagens, figuras e nomes que escreveram suas histórias nas terras deste bairro, hoje, chamado de Lagoinha, remanescentes de uma Ubatuba próspera, lutaram desde o início pelo nobre princípio da sobrevivência no contexto do Brasil colonial. Uma época em que a cidade avançava em direção ao progresso por meio do seu porto, onde negociações de exportação dos produtos como aguardente, açúcar mascavo, milho fumo e outros faziam deste atrativo o palco, não só de Ubatuba como também do Vale do Paraíba.

O precursor nestas terras que abrange toda uma enorme área de matas e praias, incluindo a Maranduba e Sapé foi o engenheiro francês João Agostinho Stevenné. No início do século XIX, criou na Lagoinha um engenho de açúcar e uma grande fazenda modelo, a Fazenda Bom Retiro, com o intuito de ensinar novas técnicas na fabricação do produto e a introdução e propagação de carneiros merinos para a produção de carvão animal. Mas com a evolução de técnicas na área da agricultura a fazenda entra em decadência no ano de 1850.

Um dos mais importantes proprietários destas terras e da Fazenda Bom Retiro, no final do século XIX, foi o bom Capitão Romualdo. Admirado por muitos e, principalmente, por seus escravos negros até a abolição acontecer. Segundo relatos históricos, mesmo depois da abolição da escravatura os ex-escravos ficaram do seu lado por gratidão e amizade, como empregados, até o falecimento do Capitão.

“Solar do Capitão Romualdo”, assim era conhecida a Fazenda Bom Retiro na época de seu maior esplendor. Moravam neste sitio, ele e sua esposa de nome Mariana, não tiveram filhos, talvez por isso, tratavam a todos seus empregados como verdadeiros parentes, sem distinção nenhuma. A humanidade deste fazendeiro era tanta, segundo contam testemunhas, que até nas refeições, seus escravos faziam parte da mesa principal tendo a preocupação de alimentar primeiro as crianças.

Dono de enorme propriedade, o capitão tinha em suas terras grande cultivo de café e cana-de-açúcar. Também exportava os produtos que cultivava e fabricava como o açúcar mascavo e a aguardente. No caso da aguardente, o capitão, segundo relatos, foi o precursor do que viria a ser a primeira fábrica de vidros do Brasil para embalar este produto alcoólico, iniciando a construção da fábrica, no local onde hoje existem 3 pilares da provável construção, este dado não é comprovado nem mesmo pela existência das colunas até hoje levantadas no local . Infelizmente a história do Solar do bondoso capitão e da prosperidade do local, a Fazenda Bom Retiro, termina com sua morte e a loucura de sua esposa ao não suportar a partida. Com este acontecimento, seus empregados, ex-escravos, amigos e queridos pelo capitão partem abandonando o local.

A Fazenda, esquecida por muitos anos e abandonada ao devir do tempo e da modernidade, hoje se transformou naturalmente em as “Ruínas da Lagoinha”. O antigo engenho e o aqueduto que mantém uma roda d’água fazem parte juntamente de um conjunto arquitetônico: edifício todo construído em base de argila, óleo de animais do mar, areia de praia com pedras simétricas e conchas, suas janelas de formas arredondadas e portas muito grandes, tudo muito criativo da antiga engenharia que sustenta até hoje o lugar.

As ruínas da Lagoinha, hoje tombada como patrimônio histórico pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico do Estado de São Paulo - em 16/12/1985, é um dos principais patrimônios de Ubatuba de grande importância para a preservação da memória nacional. O maior responsável pela restauração e recuperação das ruínas da Lagoinha foi o francês radicado no Brasil há anos, Guy-Christian Collet, em um trabalho árduo de 4 meses e ,sozinho, conseguiu o apoio da Prefeitura local para a restauração do local. Com a atuação da Sociedade Amigos da Lagoinha conseguiu reativar o processo de tombamento que foi efetivamente reconhecida pelo Estado de um grande valor cultural.

É importante ressaltar o presente dado à cidade de Ubatuba pelo casal Jamil Zantut e Banedicta Corrêa Zantut. Uma doação à FUNDART – Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba - do terreno onde estão as ruínas da Fazenda Bom Retiro da Lagoinha. Da mesma forma, se faz também importante ressaltar o drama ocorrido no ano de 1997, quando o terreno das ruínas, quase foi leiloado e vendido, e que o possível comprador poderia ter derrubado a antiga construção. A FUNDART, endividada por falta de recolhimento de INSS da empresa e FGTS de seus funcionários, quase perdeu este importante marco da cultura ubatubense. Mas uma renegociação da dívida entre a nova diretoria da FUNDART e a Prefeitura, pôs fim a este pesadelo e garantiu a manutenção deste cenário histórico - cultural.

ACOMPANHE A CONTINUAÇÃO ( 17 ª PARTE DO lIVRO Ubatuba. espaço, memória e cultura, Dos autores Juan Drouguet e Jorge Otávio Fosneca , edição de 2005, no próximo dia 11 de março de 2008, nesta página).

O Livro acima pode ser encontrado na Biblioteca Municipal de Ubatuba.

Um comentário:

Sandra de Castro disse...
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