quinta-feira, 11 de outubro de 2007

RÁDIO IPEROIG AM , A 1 ª DE UBATUBA-SP

A primeira estação de rádio de Ubatuba – Rádio Iperoig – AM. A Rádio Iperoig foi a primeira emissora de rádio de Ubatuba e, segundo informações fornecidas pelo radialista Clementino Soares, ubatubense, cooperador e locutor nos primeiros anos da rádio Iperoig, o surgimento da rádio se deu por volta do ano de 1957. Antonio Topedini Pagâno, engenheiro eletrônico e também funcionário da VASP - Viação Aérea São Paulo - recebeu a autorização para a implantação da rádio no Litoral Norte – Ubatuba e Caraguatatuba – o Sistema de Radiofônica em A.M. O próprio Topedini foi quem montou os dois transmissores e outros aparelhos para as rádios na oficina da própria VASP e, na mesma época são inauguradas as Estações de Rádio-difusão: Iperoig de Ubatuba e a Oceânica de Caraguatatuba.

A rádio Iperoig teve inicialmente as suas instalações, transmissores e a torre em um pequeno prédio no encontro da Avenida Rio Grande do Sul com a Rua Dona Maria Alves, centro da cidade de Ubatuba. O alcance das ondas médias de transmissão da rádio Iperoig, prefixo ZYR – 205, na freqüência de 1540 KHZ. Tinha apenas 75 wats de potência, um alcance de 50 km, percorrendo alguns bairros da cidade, mas com dificuldades de atingir a região sul do município, à região norte chegava com mais facilidade, alcançando até a praia Picinguaba.

O primeiro locutor e gerente da Rádio Iperoig foi Antonio Marques do Vale Filho, e seu auxiliar na locução José Luiz Soares, que mais tarde foi contratado para gerenciar a Rádio Oceânica de Caraguatatuba, deixando a vaga para Clementino Soares. Antonio Marques e Clementino Soares se revezavam nas locuções e nos programas de apresentação de calouros, em transmissões de sessões da Câmara Municipal e outros eventos transmitidos pela rádio. Logo, o estúdio da rádio transferiu-se para um novo endereço, na Rua Cel. Domiciano, no centro da cidade.

Nomes como Elza Costa Ferreira, Olga de Andrade, Ivone Vianna, Odair Rofino, Luiz Marques, Alcebíades Brasil Rofino, todos eles locutores que emprestaram sua voz a esta rádio, uma precursora que marcou o primeiro momento na história da imprensa oral ubatubense.

Existia uma enorme variedade na programação, por exemplo, nos dias de domingo, existia um programa, “Gente que Brilha”, que trazia calouros ao vivo, como “Maneco e seu Regional”, que era um dos mais ouvidos. Outros nomes como Jorge Fonseca, Filhinho Fragoso e o “Cacareco”, cantavam músicas de carnaval, samba-canção, serestas e outros tipos de músicas da época. A rádio costumava entrar no ar às 7 horas da manhã e durava até às 23 horas.

O Governador do Estado de São Paulo, o senhor Jânio da Silva Quadros, foi a primeira pessoa famosa a ser entrevistada na rádio, no ano de 1959. A entrevista ocorreu nas dependências da Pensão Aeroporto de propriedade de Dona Gení Viana.

Foram quase duas décadas de participação da Rádio Iperoig na história cívica ubatubense. Contudo, a trajetória da primeira rádio de Ubatuba finalizou por volta dos anos 1975/1976. Em seus últimos anos de vida, um locutor, José Benedito Rodrigues (JB), hoje locutor da Rádio Costa Azul, também nos forneceu algumas informações sobre o fechamento da rádio Iperoig. Segundo JB, em 1974 a rádio Iperoig estava arrendada pelo empresário de comunicações Douglas Melhen, que era sócio proprietário da rede de Piratininga de Rádio. A emissora de Ubatuba havia sido dirigida por Alfredo Breneizer, depois substituído pelo senhor Otávio Ceschi, que é pai do apresentador da Rede Bandeirantes de Televisão: Otávio Ceschi Júnior. Com a cassação da Rádio Piratininga pelo AI-5 - um Ato Institucional do governo federal da época, o arrendatário perdeu o interesse pelas afiliadas, abandonando completamente o contrato em vigor. Assim, o proprietário da Rádio Iperoig, o senhor Topedini Pagâno, não se interessou em retomar a direção da mesma, que já passava por sérios problemas de ordem financeira e documental. O pedido de renovação de autorização para o funcionamento da rádio junto ao Ministério das Comunicações não foi efetuado, levando a sua concessão a ser cassada por volta do ano de 1976.

TEXTO EXTRAÍDO do livro ' UBATUBA, ESPAÇO , MEMÓRIA E CULTURA ", escrito pelos autores Juan Drouguet e Jorge Otávio Fonseca, editado em 2005.

Um comentário:

Silvana disse...

Morei em Ubatuba.. adoro uba vou envelhecer aí..ashuahuah..
ouvia muito a iperoig.. tudo d bom..
Saudades..